sexta-feira, 26 de outubro de 2012

PRAIA DESERTA






Em terras distantes
Onde o sol queima
Numa praia deserta
Meu pensamento voa
Para um beijo deixar

Águas calmas
Juntam-se às areias mornas
Como dois corpos
Sedentos por amar

Brisa ligeira
Vem soprar de mansinho
Como carinhos teus

Cabelos esvoaçando
Parecendo aves em voo
À procura de abrigo

Numa praia distante
Em terra deserta
O sol beijou o mar
Em mim

Em terras distantes
Quando a saudade dói
Ao por do sol à tardinha
Acalento a esperança numa praia
De sentir sussurrar baixinho
O desejo e o querer
Para dizer: “Estou aqui!”

Fátima Porto

QUANTOS...





Quantos pensamentos voaram
Para não mais voltarem
Deixando um olhar vazio
Perdido no horizonte

Quantas vidas dispersas
Sulcando teu rosto
Outrora formoso
Em rugas vincadas

Quantos amores largados
Sucumbidos, desfeitos
Por mulher submissa
Esventrando o peito
Escondendo lágrimas
E do nada fez tudo

Quantos beijos sonhaste
No ardor da mocidade
Trancados, esquecidos
Num quarto frio e vazio

Quantas tristezas guardadas
Com gosto de fruto amargo
Se lavaste a alma com perdão

Diz-me
QUANTOS…

Fátima Porto

SEM TE VER



Tua mão que se estende
A minha que a procura
Teu corpo nu
Que aquece o meu na paixão
Acende a chama
Num desejo
De sentir anseio
Sem te ver

Meus olhos cegos
Pressentem
O que a alma
Sussurra de mansinho

Que doce ardor
Meu peito carrega
Por tua ausência

Em noites sonhando
De saudades em silêncio
Por não ver
Quem tanto desejo
Onde apenas resta o desalento…


Fátima Porto

DEIXEI EMBALAR




Baloicei em ventos de esperança
Ao amanhecer de dias claros
Em terras onde o sol aquece
Num desejo de futuro

Deixei a brisa tocar o rosto
Deslizando e suave
Soltando os meus cabelos
No baloiço do querer

Oh praia que eu inventei
Aqui ou em qualquer lugar
Traz-me de volta o tempo
O tempo que lá deixei

Batam as palmas das palmeiras
Ao borbulhar ameno das ondas
Que embalam a imaginação
Fazendo matar as saudades…

Fátima Porto