sábado, 30 de março de 2013

LÁGRIMAS DE SILÊNCIO




Cruzo os braços
Para abafar meu grito
Enquanto lágrimas rolam
No silêncio da minha solidão

Olho para o vazio
À procura de tudo,
Mas sua forma é um eco fútil
Pior que o sal que escorre pelo rosto

Calo para não ser entendido
Num canto qualquer,
Pois mesmo doendo o coração
Deixo as palavras caírem
E secarem

Porque limpar
Tudo o que os meus olhos falam?

E em silêncio
Deixo meus braços cruzados
Às lágrimas de tristeza …


Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

PALAVRAS ESCRITAS




Larguei meu livro
Algures numa praia
Ao fim de tarde
Para que a noite o levasse
E brilhasse junto às estrelas

A brisa virou páginas
Para te levar as mais doces
Em carinhos e beijos

Sente
O teu coração entende
Pois nosso desejo se espraia
Em palavras escritas por nós
Onde o entrelaçar dos corpos
Ondulam ligeiros e suaves
Ao sabor da maré

Deixei o livro numa praia
Onde as páginas são escritas
Com sabor de maresia ao sol-pôr
E com brilho das estrelas
Quando a noite chega

A brisa suave e quente
Agita as palmeiras dos corações
Refrescando saudades
Deixadas escritas num livro
Algures numa praia…



Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

sexta-feira, 29 de março de 2013

AO SOM




O baile vai começar
À luz do entardecer
Olho a última folha de Outono
Que o vento não levou

Restou um piano
Para a nossa melodia
Que soará baixinho
Só para nós

Sinto tua presença
Sem tempo como a brisa
Com o deleite da suavidade
Entrelaçada em nós

Olhos que sentirão
Mãos degustando sentidos,
No cadenciar dos corpos
Envolvidos no calor do momento

Sons que deixarão
Tremer nossos lábios
Para um beijo pedido
Sem palavras
De olhos fechados
Deixaremos embalar
Nossos corpos na doce melodia…


Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC
Publicado no Blog e no Jornal On Line Jornalorebate Rebate de Macaé-RJ

quarta-feira, 27 de março de 2013

ENIGMA




Existe um mistério no teu corpo
Que é feito de desejo e mel
Sabe a fantasias quebradas
E sonhadas diariamente em vão.

Existe um feitiço no teu olhar
Que prende as sombras mais fugazes
E encandeia a aurora do meu anoitecer
Sempre,
Sempre sem cessar.

Não sei que segredo esconde a tua boca
Pois nem consigo decifrar-lhe o gosto
Mas vicia...
Cativa...
Prende...

Não sei que enigma nasce na tua voz
Tão doce, sensual, tão limpa…
Quero tê-la uma e outra vez

És capricho, tentação doentia
Tão difícil é amar-te e não te ter
Como ter-te e não te amar

És ânsia, loucura, perdição
Um doce amargo, nu e cru
Que não se deixa de saciar

Quero-te como se quer o raio de Sol
Permanente,
Brilhante,
Inacessível

Desejo-te como se deseja a Lua
Musa de prata perdida na noite

Tenho-te como se tem o Vento
Brisa suave,
Furacão,
Tempestade

Sôfrega, espero por ti
E num minuto me alcanças,
Ou num segundo te evades

E depois nada mais existe,
Nada mais me resta

Apenas a memória do cheiro
A figura,
O vulto
A força do olhar
O calor do abraço…


Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

SONHANDO NO PRESENTE




Olha-me através da distância
Bem no fundo da minha alma
E sente o que sentimos
Pois não é sem razão

É um amor calmo e sereno
Que não tem barreiras
Nem tempo
Como águas de um rio
Deslizando ate seu destino

Queremo-nos tanto
De um amor longínquo
Se faz presente
No aconchego dos braços teus

Em fixo olhar e calando palavras
Silenciamos beijos sussurrados
De tanto amor sonhado…


Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

RETRATOS



…Retratos de palavras caladas
Que transbordam sentimentos vividos
Nas distâncias perdidas

Retratos molhados
Por lágrimas que rolavam
De uma saudade presente

Retratos amarelecidos
No relógio do tempo
Um passado voltado para o presente
Levado pelas nuvens do futuro…


Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

SONHOS NO OLHAR




Perdi-me num olhar de pensamentos
Esperando p’lo nosso encontro,
Querido, ansiado,
Esquecendo o mundo lá fora

Senti o odor forte de café,
Que arrefecia,
Mas que fazia aumentar o ardor
Da tua presença

Um calor percorre meu corpo
Como se tocasses meu ombro
Numa surpresa calculada
Mas inesperada

Suavemente, as mãos se entrelaçaram
Com um beijo discreto, sereno
Em que os corações desnorteados, arderam
Ousando controlar nossos impulsos maiores

Mas…
Oh vãs quimeras que angustiam o espírito,
Nos sonhos em que vagueio
Enquanto aguardo por ti…

Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

terça-feira, 26 de março de 2013

PANOS PONTEADOS




Cerzi nos panos do tempo
Angústias e tristezas,
Com silêncios de lágrimas
E agulhas de dor

Como as rendas de adornos
Que enfeitavam mágoas,
Costurei palavras na noite
Para adormecer a realidade

E no colo cansado, descansei
Com as mãos vazias de nada,
Num sossego que tardava
Em horas secas de lamentos

Ocultei réstia d’um passado
Consumido nas feridas profundas,
Lavando o rosto
Em panos ponteados no presente

Em abraços de calor
Amanheceu para mim…


Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

EM TRILHOS DA IMAGINAÇÃO




A brisa tocou suave
Esvoaçando meus cabelos
Como bando de aves soltas ao vento
Fazendo meus pensamentos voar

Caminho entre histórias d’amor
Dum esplendor sem fim

Corpos cingidos
Numa entrega de um tempo esquecido
Onde ruas vagueiam no silêncio
E o mundo existe num quarto

Paixão iluminando olhares calados
Que despertam o tatear de beijos
Desfrutando em ardor

Quantas ilusões sonhadas
Deixando a imaginação dispersar-se…


Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC
Publicado no Blog e no Jornal On Line Jornal O Rebate de Macaé-RJ

SOMBRAS DE MIM




Calo em sombras que me perseguem,
Como águas mansas
Em leito profundo,
Querendo voar e gritar

Mas minha voz,
Embargada nas lágrimas contidas
Silencia meus dias de angústia
Em asas que não voam

Tenho a solidão por companhia,
Porém se me abraço
Sinto frio

Quantas perguntas sem respostas
E soluções que não desejo
Consentindo que os dias passem
Ou que eu me entranhe neles

Como sinto a ânsia dum clamor
No ardor das lágrimas largadas ao vento
Mesmo que no silêncio da noite…


Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC
Publicado no Blog e no Jornal On Line Jornal O Rebate de Macaé -RJ

segunda-feira, 25 de março de 2013

RUGAS DA VIDA




Os olhos fechados
Como quem cala as amarguras,
Deixando cair uma lágrima
P’las rugas, cravadas da vida

Alma que se esconde
Numa boca em silêncio,
De histórias que o corpo lavrou
Perdendo a conta dos anos

De panos negros envolta
Como a solidão das noites presentes
Abafada num passado remoto
Sem deixar cair um lamento

Onde vivem pensamentos de quimeras
Outrora tidos,
Sem queixumes de vãs lembranças
Num coração amordaçado
Na tristeza da Vida…


Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

PÉTALAS DE SONHO




Vamos partir
Em barco sem velas
Pétalas de rosas ao vento
O levarão
Dentro da fantasia

Paixão
Sonhada
Voga a barca
Em brisa leve
Como pássaro a voar
Junto ao mar

Vai deslizando
O batel
Como a fantasia
Te ter junto a mim
Ao longo das águas mornas
E não mais acordar

Abraça-me
Quero sentir o teu calor
A brisa está fresca
Sinto um arrepio

Oh a janela do quarto
Estava aberta
O meu barco
Era um sonho.


Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

domingo, 24 de março de 2013

QUANDO




Quando eu sentir teu odor
Ao ir e voltar num por de sol
Perto de uma praia

Quando eu sentir a brisa sobre as palmeiras
Como missangas tilintando
Num corpo a ondular ao sabor da música

Quando ouvir os batuques ao entardecer
Ritmados por marimbas
E o chão tremer e pó levantar

Quando me deliciar no gosto doce das frutas
No sabor acre-doce de tambarinos e mucua
E no esplendor das acácias rubras

Quando me sentir no teu encanto
Do calor dos ramos num abraço
Nas sombras dos silêncios gritarei teu nome

Quando,
Em vez de meu pensamento voar
Eu poder dizer, voltei para ti, minha terra…


Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

EM SILÊNCIO




Pelos vãos das janelas
Correm angústias
Atiradas ao chão
Voraz como lixo

Torturam e doem
Desfazendo a alma

Como o peito aperta
Nessa ansiedade
Em sufoco no silêncio
De palavras sujas nas paredes velhas

Quero gritar
Soltar minhas lágrimas
Em desabafo da minha solidão

Colo e mãos vazias
Num desejo louco de te ter
Mas pouco a pouco
Apenas sinto
Rolarem lágrimas…

Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC