sexta-feira, 31 de maio de 2013

JANELAS DA MINHA TERRA




Vejo-te por janelas sem vidro
D’uma imaginação real
Como portas abertas, à paisagem imensa

Meu pensamento voa em ti
Nas noites iluminadas pelas estrelas,
Até ao raiar de um novo dia

Das minhas janelas,
Contemplo o mundo da minha terra
Onde saboreio odores inebriantes,
Sulcando trilhos enfeitiçados,
Descendo rios agitados,
Na direcção do arco-íris no horizonte

Janelas da minha terra,
Quero-vos sem vidros para sentir na alma,
O viver de um povo ressurgir,
Como bálsamo de uma tristeza passada

Janelas,
De onde vejo minha terra
Cheia de vida e esperança…


Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

O LIVRO E EU




Sou como um livro
Que não existo só pelo olhar da capa
Mas também do que “viajo” em mim mesma
Nos pensamentos, palavras

Há pessoas que jamais tentaram invadir-me,
Em todas as vírgulas, ou em qualquer ponto final,
Nem nunca ousaram “ler-me”,
Nas noites em que o silêncio gritou
E as lágrimas transbordaram
Por uma alma seca

Ah como soltam seus próprios sentimentos
Após verem páginas sem limite,
Que vão desfolhando, na procura do seu alento
E que se fecham por fim

Sou como um livro
Que envelheço com o tempo,
Pois o tempo não para na roda da Vida,
E em que a palavra Amor
Existe, está escrita, e é verdadeira

Também sou como um livro….




Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

quinta-feira, 30 de maio de 2013

SENTIR O ABRAÇO




Quero sentir o abraço
Onde encoste a cabeça no ombro,
E o calor encher minh’alma
Vazia de palavras

Queria sentir um abraço
No silêncio do olhar,
Sem promessas ditas
Apenas no conforto tido

Sonhava sentir o ardor do teu abraço,
E por breves instantes,
Do corpo em meu enleio
Ledo e cego, meu coração ficaria

Como queria sentir
O calor do teu abraço…


Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

QUISERA


Quisera,
Quisera que viesses até mim
E que ao acordar
A meu lado estivesses

Pudesse sentir tuas mãos,
Teus lábios tocar os meus
Num beijar doce e macio,
Percorrer tua pele com meus dedos

Quisera poder adivinhar teus pensamentos
Olhar para o teu rosto,
E de imediato,
Saber como agir,
Quais palavras proferir,
Quais teus desejos realizar

Quisera, ah quisera sim!

Ter-te para sempre
Bem perto de mim
Em busca desses nossos momentos,
Todos sonhos realizados
Num só momento

Momento esse que duraria
Mais do que um dia,
Dando-nos o alento almejado,
E lado a lado,
Iríamos querer mais,
Muito mais,
E lá fora nada mais existiria,
O mundo connosco, pararia!

Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

QUANDO EU VOLTAR




Quando eu voltar
Que se silencie
As nuvens e o céu vermelho
Palmeiras sem vento
Para observar o cheiro
E contemplar a magia da minha Terra

Quando eu voltar
Que o calor me abrace suave
Como nuvens de algodão a florescer
No sentir do aroma do café nos terreiros
Degustando saudosa o olhar das acácias rubras

Quando eu voltar
Vou fechar os olhos
Minhas mãos agarram a terra que me viu nascer
E murmurando em silêncio palavras da alma
Escondidas, caladas
Pois cada lágrima rasga-me o peito
Porque por fim…eu voltei!


Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

quarta-feira, 29 de maio de 2013

NOSSO ENCANTO




Tuas mãos tocam-me
Mansamente,
Palmo a palmo
Pedindo um pouco mais

Acaricias suave o ombro
E beijas palavras não ditas
Que arrepiam a Alma
No olhar d’encantar

Afagas meu corpo
Desnudando vontades
Com sentires de quereres
Em nossa entrega

Como nos amámos
No nosso universo
E enleados continuamos
Num natural encanto….


Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

terça-feira, 28 de maio de 2013

AMAMOS



Como te dispo,
Lentamente,
Com olhar calmo e tentador,
Descobrindo uma pele
Desnudada de pudores

Carícias que te percorrem,
Saboreadas,
Em arrepios,
De respiração descompassada

Em cada beijo uma vontade,
Nos afagos de nossos sentires,
E nos toques o ardor da paixão

Liberta-mo-nos,
Deseja-mo-nos,
Porque nos Amamos…

Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

SIGILO D’AMOR




Vem,
Sim, vem um pouco mais,
Para que possa dizer baixinho
Tudo o que te quero falar
E que ninguém possa ouvir

Vem,
Bem encostado a mim,
Porque é apenas de nós dois,
E em sigilo de nosso amor

Vem,
Lê todas as palavras dos meus olhos,
Pois com ardor o beijo é dado
Num doce silêncio,
Aliviando a dor da ausência

Vem,
Que os corações assim tão próximos,
Trocam amor eterno
Naquele breve momento…

Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

segunda-feira, 27 de maio de 2013

DEIXA-NOS




Deixa-me aninhar nos teus braços,
Envolver no teu colo,
E levemente acaricia-me o rosto
Pois olho para ti
Até nos tocarmos num beijo desejado

Deixa o teu cansaço
Pousar na minha calma,
Como um rio
Que corre com a brisa ligeira

Deixa-nos ser assim
Um sonho ou realidade,
Mas que nos faz ver por dentro,
Assim como olhas e sorris,
Sinto-me no teu olhar…

Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

domingo, 26 de maio de 2013

EM SONHOS




Oh como escrevo
Todo o sentimento que sinto,
Deixando meu pensamento voar,
Quando para ti olho

Mas se vejo tua boca
Sinto-me beijada, desnudada

E se adormeço
São de tal forma sonhos meus,
Que nem ouso falar,
Pois eu mesma estremeço

Tua voz ao ouvido sussurra,
Palavras com sabor a mar,
Estreitando no calor do abraço
Um brinde único, para amar

E em nossos corpos se abrigam,
Tais fragrâncias,
Como dos amantes que amam
Desde que anoitece
Até a manhã raiar,
Perdidos numa praia,
Ainda por inventar…

Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

D’OLHOS FECHADOS




Com tuas caricias
E teus beijos,
Fecho os olhos
E deixo-me levar

Dar amor
E ser amada,
Envolves-me
Com tal doçura e candura
Ficando aprisionada em ti

Vou chamar de paixão,
Um amor doce,
Porque nós queremos,
Desejamos,
Ansiamos,
E nos encaixamos,
Como o concavo
E o convexo

E numa plenitude irreal, talvez,
Que d’um sonho a dois,
Nossos cheiros
Cruzam-se,
Misturam-se
Com os fluidos
Que de nós exalam,
Inebriando-nos
Como loucos

Ah que amantes que somos,
Quando fechamos os olhos…


Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC