sábado, 15 de junho de 2013

CALOR AO PÔR-DO-SOL

Vejo-te
Em raios quentes
Do sol que se vai escondendo,
À tardinha,
Pois a imaginação voa
De tanta saudade, que dói

Queria fechar os olhos
Conceber teu calor
Numa praia,
Ao pôr-do-sol,
Teus raios envolvendo
Como fosse um abraço

Mas oh tristeza minha,
Angústia de minha alma,
O calor que sentia
Era eu que me abraçava

Sonhava estar na praia
Da terra que me viu nascer


Fátima Porto
Fotografia de : Adalberto Gourgel
Texto registado e protegido pelo IGAC
SUMBE

Oh Terra,
Onde vivi a minha juventude,
E criei raízes d’Amigos

Onde as praias têm magia
Quando o sol se põe
Ao som da brisa nas palmeiras

E com um rio longo,
Que derrubando obstáculos,
Dá-te Cachoeiras que são um encanto,
Uma dádiva da Natureza

Sumbe,
Do cheiro de café,
E das nuvens do algodão,
Contrastando com a terra vermelha

Sumbe,
Terra que trago no coração,
Das amizades que perduram,
E que embora ausente,
Estás sempre presente
Em forte ligação…


Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

ADORMEÇO



No encanto
Do repouso,
Cheiro a rosa que me deste,
Fechando os olhos
No fascínio de odores,
Fantasias

Sinto teu abraço,
Afagando os cabelos,
Um olhar profundo,
Meigo,
Lendo a alma

Peço-te beijos,
Calados,
Carinhosos,
Suaves como penas,
Mas arrebatadores
Como a fúria do mar

Corpos envolvidos
Queridos
Transpiram paixão

Adormeço
Em minhas fantasias
Pela rosa que me deste ….

Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

sexta-feira, 14 de junho de 2013

PALAVRAS



Letras espalhadas no areal
E levadas p’lo vento,
Por gaivotas livres
E por um mar que as recebe

Abro minhas mãos
Que agarram palavras,
Mas que se esgueiram
Por entre os dedos
Como a areia da praia

Escondo-as atrás das rochas
Ou mesmo numa cova,
Mas o mar
Vai
E volta
Para as levar

Palavras

Escrevo na areia
Palavras da alma
Pedindo ao mar e ao vento
O teu regresso

Mas eles não me ouvem,
Levando-as,
Ficando eu, à tua espera

Palavras…



Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

quinta-feira, 13 de junho de 2013

PRESENTE NA DISTÂNCIA



Tua imagem esfuma-se,
Misturada com lágrimas salgadas
Que teimosamente rolam,
Como a água à nascente
Rasgando caminhos

Sente a minha voz baixinha,
Como um sussurro,
E sente as minhas mãos
Que procuram tua boca
Em beijos nossos, meigos, sentidos

Desejos e vontades
Que ultrapassam distâncias
Voando no tempo
Sem limites nem espaços

Minha alma sente,
Estremece,
Porque mesmo estando ausente,
Estás sempre presente
Num tempo que não se mede…

Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

OLHAR PROFUNDO



Vejo-te
Porque é a ti que quero ver
Olho sem falar
E medito cada palavra

Minha alma sente
O que os lábios não dizem
Meu profundo olhar
Silencia promessas ocultas

Olhos espelhos da alma
Diz-me que te direi
Que em afagos e carinhos
Deliciam tua paixão

Penas que nos cobrem
Para que valem?

Nossos sentidos degustam
O despir dos corpos
Ao prazer do olhar

Vês-me
Porque é a mim que queres ver!


Fátima Porto
In “ecos d’alma”
Texto registado e protegido pelo IGAC

REVOLTA



Queria morder num sorriso
Com calma serena,
E de olhar profundo
Para falar o que sinto

Abafam-me as palavras
Como um grito sem eco,
Nas lágrimas que correm
Frias e tristes

Escorrego pelas paredes que me acolhem
Num abraço só,
Fechando os olhos para o mundo,
Na penumbra dos meus pensamentos

Deixem-me rasgar a alma,
Porque já não sei sorrir
E na solidão,
Apenas choro
Lágrimas que já secaram…


Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

quarta-feira, 12 de junho de 2013

DOCE AMAR



Meu amor…

Vamos amar até ser dia,
beija minh'alma
com teu perfume,
com sabor de baunilha
e ouve-me,
Tacteando lentamente

Sim meu amor,

Olha-me com ternura
sem palavras,
E nossas bocas unidas
beberão nossa paixão

Sente nossos corpos
Que em ardor e tremendo
de tão doce emoção,
Querendo um nunca mais terminar

Vem amor meu,

Mãos nas mãos
Para em teu colo descansar
D’uma chama que não se extingue
Mas que no silêncio de nós,
Esculpirá doce paixão
Em páginas d’amor exaltado...


Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

DESNUDAM-SE OLHARES



Tuas mãos ao tocar o ombro,
De mansinho,
Faz-me sentir arrepios

Teu olhar clama palavras doces,
Que me despem lentamente
No silêncio da noite

Prende-me a ti
No aconchego de beijos,
Em deleite de afagos,
No calor do teu regaço

Vibro em tua voz suave,
No sonho, quão desejos
E vontades sussurrando
Promessas íntimas da alma

Dou-te as mãos
Para que mostres o céu,
Entregando-me, amor…


Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

TEUS BRAÇOS



Os dias não passam
São iguais
Em ausência presente
Na imaginação de querer
Onde palavras banais
Cheiram a doce

Num olhar que ouve
Promessas caladas
No silêncio dos lábios
Onde torrentes de beijos
Enleiam nossas almas

Com vontade de um abraço
Dos teus braços em mim
Cinjo-me no meu calor
Mas longe de ti…

Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

QUANTO AMOR




Fecham-se portas
Para que se extravasem sentimentos
Diluídos num bem-querer

Ver e desejo,
Misturam-se na vontade de um beijo,
Nos dedos que, delicados,
Vão despenteando em caricias
Palavras tidas

Roçam corpos ansiosos
De um amor em segredo,
Quentes como o sol que se põe,
E de olhares que brilham,
Como as estrelas da noite

Num abraço, com ardor
Trilham passagens amadas,
Na fragrância dos suores,
Até que o manto do alvorecer se eleve
Pelo sol de um novo clarear

Quanto amor tido,
Quanto amor querido…

Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

terça-feira, 11 de junho de 2013

MELODIA MÁGICA




Enlaçados
No enlevo do instante,
Seduzidos,
A música continuava,
Quando o baile
Já tinha acabado

Em passos lentos,
Nossa melodia mágica
Inebriava a chuva,
Como beijos serenos
Que dávamos

Os corpos
Aqueciam
O frio da roupa molhada,
No prazer do tempo,
Sem horas,
Nem minutos
Do tempo passar…

Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

segunda-feira, 10 de junho de 2013

GUARDIÃO AO POR DO SOL




Ao entardecer
Guardas almas num rio calmo
Na ponta da piroga que te resguarda

Esperas as estrelas no céu negro
Como sentinela ao seu tesouro
Para contares segredos
Que tua boca calará

Brisa corre quente
Do por do sol
E da chuva que não cai
Fazendo escaldar a terra vermelha
Levantado o pó da saudade

Alerta e atento
Ao deslizar de um rio
Onde raízes profundas ainda choram
Fazendo transbordar tantas lágrimas
Contidas nas feridas causadas

Tua vara é teu guião
Imponente e majestoso
Mostras que mesmo sozinho
És guardião de terra sem medida…

Fátima Porto
In “Ecos d’Alma”
Texto registado e protegido pelo IGAC

SOMENTE ASSIM





Quero sentir o teu medo
Ao olhar-me

Quero sentir o teu desejo,
Ao desejar-me

Quero sentir o teu corpo,
Junto ao meu

Quero sentir o teu olhar,
Ao cruzar-se com o meu

Quero sentir o teu amor,
Ao amar-me

Quero sentir o teu beijo,
Ao beijar-me

Quero sentir-te sempre,
Simplesmente em mim…




Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

domingo, 9 de junho de 2013

AREIAS NO TEMPO




Tempo,
Que passou no tempo
Sem nunca parar
Trazendo à memória
Um tempo esquecido,
Mas nunca perdido

Remoinhos aos ventos
Tentando parar
O tempo presente
Com areias no ar,
Em escritas sem tinta
Nas folhas dum livro futuro

Do fio que corre
Marcando o tempo,
Vai apagando um passado
Na existência pelo destino
Da presença do verbo Amar…



Fátima Porto
IN “Ecos d’Alma”
Texto registado e protegido pelo IGAC

AMAR É



Ter sem possuir
Num dar e receber

Muitas vezes querer ficar
Mesmo sem ter motivos
Apenas pelo ler do olhar

Saber falar e entender
Como dois corpos que se encaixam
Mesmo pela distância

Precisarem mutuamente
mas não serem dependentes
Num presente mesmo que por vezes ausentes

Mas a coisa mais importante
É aceitar como são
Sem dizer como gostariam que fossem…


Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

SONHO…IMAGINO…




Um céu onde vivo
Quando contigo estou
Tuas ternuras, caricias
Me levam à loucura
Sentindo teus beijos
No meu corpo nu

Todo o meu ser vibra
Se revolta, num querer mais

Sonho,
Imagino,
A tua boca em mim,
Tuas mãos tocando suave,
O cheiro do teu corpo em meu redor

Sonho,
Imagino,
Meus beijos em ti,
Dedos percorrendo suave o teu corpo,
Nossos corpos juntos, unidos

Sonho,
Imagino,
Abraços sem ter fim,
Olhares que por nós falam
E clamam total tentação

Sonho,
Imagino,
Nosso amor louco
Em momentos de prazer,
Entre cheiros e o calor dos corpos que se misturam
Um tremor, suspiros,
Mãos nas mãos
Nosso céu é atingido
Em momentos de Amor!

Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC