sábado, 13 de julho de 2013

PAIXÃO SEM PALAVRAS

PAIXÃO SEM PALAVRAS

Teu enleio
Num beijo,
Faz deslizar minha cabeça
Em ombro nu, quente,
Que afaga nossa paixão

Que desejo,
No momento
De nosso querer,
Em carícias retidas,
Caladas, sussurradas,
No extravasar incontido

Não se ouvem palavras,
Apenas o bater de corações
De júbilo ansiado,
Subtilmente alcançado

Oh doces sensações,
Quisera voar no tempo,
E levar de mim p’la distância,
Em ternuras de ardor,
Escritas no silêncio…

Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

MÚSICA NO OLHAR

MÚSICA NO OLHAR

Olho-te com música no ar,
Leve e solta,
Mas profundamente em ti

Quero-te para mim,
Como num bolero,
Bem juntos no seu dançar

Não tires teu olhar de mim,
Para veres minha alma
Estremecer por ti

Olhos nos olhos,
Iremos dançar de alegria,
Nossa sinfonia de amor….



Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

JANELA DE ENCANTO

JANELA DE ENCANTO

Janela dos meus encantos,
Por ela vagueio
Num doce imaginar

Uma brisa
Toca meu rosto,
Como carícias tuas
Trazidas pela saudade

Olho a paisagem,
Serenamente,
Como quem espera mensagens,
Chegadas em espuma nas ondas,
Até à areia fina da praia

Corro na imaginação
E nada encontro,
Apenas uma doce fantasia
Através do encanto da janela,
Que me transporta para a ilusão…


Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

LÁBIOS MEUS

LÁBIOS MEUS


Lábios meus,
Carnudos
Que dissimuladamente, tu queres

De fogo,
Num beijo ameno
Meigo e quente

Que percorrem
Teu corpo ardente
De pele macia

Onde tua mão,
Acaricia suave,
Sem nada pedir

Que sugam
Teu mel,
Por ti desejado

De onde se ouve sussurros,
E desliza ardente
Num beijo carente

Que pretendem de ti,
Detalhes simples
Em palavras caladas

Sensuais,
Que te dão meiguice,
Onde pões teu olhar


De mistério,
Ousados,
Em fogo

Mas lábios meus,
Naturais…


Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

sexta-feira, 12 de julho de 2013

FRIO DA AUSÊNCIA

FRIO DA AUSÊNCIA

Abraço-me,
Encolho-me,
Mas sinto frio
Da tua ausência
Que arrefece minha alma

Procuro na sombra
Vestígios de ti,
Do calor que anseio
Ou de promessas
Que caiem num vazio

Como dói o arrepio
Do relento da noite,
E da escuridão que meus olhos sentem

Abafo palavras de mim
No regaço de nada,
Com mãos despidas, vazias
Tal como o frio que sinto…


Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

quarta-feira, 10 de julho de 2013

POR TEU CALOR, SONHO

POR TEU CALOR, SONHO

Vejo-te,
Em raios quentes
Do sol,
À tardinha,
Voando minha imaginação
De tanta saudade,
E apertando o peito

Queria fechar os olhos,
Inventar teu calor
Numa praia,
Ao pôr-do-sol,
E teus raios envolvendo
Como se fossem um abraço

Ah tristeza minha,
Angústia de minha alma,
Era eu que me abraçava

Pois sonhava estar numa praia,
Da terra que me viu nascer...


Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

PERTO/LONGE

PERTO/LONGE

Longe,
Num tempo que passou veloz,
Não fazendo dissipar lembranças,
Nem desejos e vontades

Longe,
Em que o querer se torna maior,
Na existência e no viver,
D'uma promessa feita em silêncio

Longe,
De abraçar até onde o horizonte se alcança,
Em minhas mãos vazias,
Mas num coração repleto de tudo

Longe,
Onde a terra é quente,
Os cheiros se diluem com sabores,
E o mágico sol presenteia a lua, na despedida, ao se pôr

Longe,
Onde é meu querer,
Numa terra que chama por mim,
Porque deixou cravada no sangue,
Nuvens d'algodão,
Perfume dos cafezais,
Frenesim das batucadas,
E odor de barro vermelho
Que moldou meu ser

Longe,
Que está sempre perto...

Fátima Porto.
Texto registado e protegido pelo IGAC

terça-feira, 9 de julho de 2013

OUVIR, VER E SENTIR


OUVIR, VER E SENTIR

Faz-me acalentar esta vontade de ti,
Num desejo maior ainda
Para te ter presente em mim

Nos silêncios das noites,
Sinto-te,
Vejo-te,
Longe do alcance dos meus braços

Teu calor arrefece na ausência,
E num tempo lento,
Onde ventos teimam em destruir,
Quantos pensamentos abafados, contidos,
E clamados a par e em exaltação

Não te oiço,
Meu Amor

Onde estão tuas palavras,
Sussurradas lentamente,
No envolver de carícias doces,
Fazendo os corpos estremecer

Existe uma névoa em teu redor,
Vinda de brisas frias,
Fazendo desviar-te no tempo,
Em corpo e alma,
Sem calor, sem palavras

Não te vejo,
Meu Amor

Beijos que demos,
Quando o tempo parou,
E só o nosso existia,
Enquanto as peles se colavam
No odor da loucura

Já não te sinto,
Meu Amor

Tento controlar
Lágrimas que teimam em cair,
Pois uma Alma despedaçada,
Ainda sente...


Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC
Art by Luana Luena Lluana

segunda-feira, 8 de julho de 2013

CANSADA

CANSADA

…Estou cansada
De ser sempre igual

Estou cansada
Dos meus sentimentos traírem-me

Estou cansada
Dos silêncios na solidão

Estou cansada
De sorrir quando nada está bem

Estou cansada
Com o interesse no amor

Estou cansada
Com a maldade dos homens

Estou cansada
Dos “atores” no palco da Vida

Estou cansada
De abafar meus gritos

Estou cansada
De engolir lágrimas de dor

Estou cansada
De coser meu peito com perdão

Estou cansada….


Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

UM VAZIO DE NADA

UM VAZIO DE NADA

O dia amanheceu
Sem vestígios de ti
Tive estrelas por companhia

Cama desfeita do nada
Num corpo à espera
Do teu anseio em palavras

Rasgaste o último pedaço de alma
Que nem as lágrimas lavaram

Dor que cega meus pensamentos
Atraiçoa minha vontade
Num quarto de palavras surdas

Amanhece frio meu corpo
Em lençóis amarrotados
Nos braços vazios de ti

Ainda vislumbro tua sede
Num deserto
Que chamas de meu corpo…


Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

PALAVRAS EM CORRENTES

PALAVRAS EM CORRENTES

Lavam-se as palavras,
Nuas,
Cor de fel,
Para não doerem

Gosto amargo,
Nos silêncios de olhares fugazes,
Enquanto se cala,
Num tempo perdido

Oh, quantas palavras por dizer,
Em olhos que se fecham,
E que não vêem o clamor da Alma

Ah palavras, que se acorrentam,
Elo a elo,
Em sentimentos surgidos
Quase de magia

Correntes que prendem,
Unem,
Um todo e em tudo,
Querendo,
Desejando com ardor

Palavras, que uma a uma,
Desenham e desabrocham
O fascínio do Amor

Elos de um tempo achado,
Mesmo em silêncio dos olhares,
Não murchem nas palavras,
Nem se partam

Pois os beijos falam
No aconchego d’um abraço...


Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

domingo, 7 de julho de 2013

OLHANDO O CÉU

OLHANDO O CÉU

Espero tranquila
Mas com saudades
Que a lua reflita no mar
O caminho até mim
E aquecer meu coração

Meu semblante triste
Olha o céu, um sinal,
De um regresso teu
Até meus braços vazios,
Sem teu calor

Quero teu esplendor
Que me faz viver
E adormecer em sonhos
Com tua presença em mim

Como o coração bate
Num aperto da minh’alma
Nesta distância que nos separa
Pois todo este desejo é nosso

Será nas pequenas coisas da Vida
Que encontraremos a Felicidade…

Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

DESNUDANDO-TE

DESNUDANDO-TE

Oh corpo,
A alma despiste-a

Eu, apenas te dispo a roupa
e desnudo,
Corpo quente,
De homem louco
Perdido nos anseios
Que me entregas
e fazem perdida

A minha língua deleita-se,
Num peito,
e desvenda do teu âmago,
Os desejos escondidos

À vontade,
Os suspiros em murmúrios
Que me doas…
Devagar,
As minhas mãos conquistam-te,
Nas palavras caladas que soam,
Quentes,
Dormentes,
Porque tudo é palpitar de silêncios,

És,
O meu encaixe perfeito,
Ninho das minhas mãos,

Deixa-te ficar...

Eu visto-te,
Para te voltar a despir outra vez!


Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

QUANTOS

QUANTOS

Quantos pensamentos voaram
Para não mais voltarem
Deixando um olhar vazio
Perdido no horizonte

Diz
Quantos…

Quantas vidas dispersas
Sulcando teu rosto
Outrora formoso
Em rugas vincadas

Diz-me
Quantas…

Quantos amores largados
Sucumbidos, desfeitos
Por mulher submissa
Esventrando o peito
Escondendo lágrimas
E do nada fez tudo

Diz-me
Quantos…

Quantos beijos sonhaste
No ardor da mocidade
Trancados, esquecidos
Num quarto frio e vazio
Onde cortinas voaram em imaginação
Rasgadas p’lo tempo

Diz-me
Quantos …

Quantas tristezas guardadas
Com gosto de fruto amargo
Se lavaram na alma com perdão
Tentando esquecer um passado presente
Aninhando o corpo no próprio calor

Diz-me
QUANTAS…

Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

RECADO PARA TI

RECADO PARA TI

Desejo redigir
Juras perfeitas,
Queridas,
Do fundo da minh’alma

Medito,
Considero,
Imagino-te
a mim cingido,
Mas palavras não se encaixam
Neste envolver

Para quê escrever
Se tua figura,
O envolvimento,
Murmuram melhor
Que mil palavras gravadas

É só uma mensagem
Pra quando eu não aparecer ….

Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC