sábado, 16 de agosto de 2014

TEU ACONCHEGO

TEU ACONCHEGO

Tuas mãos, meu consolo
Em meu corpo, aconchego
Teus dedos percorrem caminhos
Que só sentimos nós dois

O calor de tuas mãos
Faz-me vibrar de anseio
Ter-te bem junto a mim
Em noites sem ter fim

De mãos dadas, sem falar
Olhos nos olhos, bem profundos
Sinto que és minha cama
No lençol que desenrolo

No teu conforto me aninho
Em suave deleite
A vontade de te ter
E a ti pertencer….


Fátima Porto

AGORA

AGORA

Não digas nada,
Apenas abraça-me
E murmura teus carinhos
Deixando o odor na minha blusa,
No meu corpo,
Em minhas saudades

Volta,
Acabando de seres distância
E seres presença agora,
Apenas vindo ter comigo

Agora…

Fátima Porto

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

SE...

SE…

Se ouvires dizer que não te amo,
Que deixaste um vazio,
Uma solidão sem ter fim,
E que não sei se ainda existo
Ou se vagueio em mim

Se te disserem que sorrio
Trazendo alegria no olhar,
Não acredites
Em contos falsos
Que nos fazem magoar

Se olhares para o espelho
E vires a minha imagem refletida,
É a vontade que fala por nós
Numa paixão maior

Se amanhã sentires a cama vazia
E ao calor do abraço
Um arrepio na pele,
Sou eu, sussurrando ao ouvido
Palavras caladas e doces
Ditas p’lo coração…

Fátima Porto

EM NOITES DE LUAR

EM NOITES DE LUAR

As noites longas de luar,
Sabem ao cheiro das mangueiras
P’la brisa que corre
Pintada pelos campos de algodão

Em noites de luar,
Onde sinto o perfume das praias calmas,
Deitada na areia molhada,
Contando as estrelas brilhantes do céu

Nas noites de luar,
Oiço trazidos p’lo vento,
Sons da minha terra
Entoados à volta de uma fogueira

Noites de luar,
São noites de enfeitiçar,
Corpos ondulantes
Vibrando p’los batuques,
Batendo os pés no pó da terra vermelha
Ao compasso das palmas, ecoando

Magia das noites de luar
Tem cheiros e sabores
Que minh’alma não esquece…

Fátima Porto


A BRISA

A BRISA

Brisa passa ligeira,
Como um sopro que vagueia suave
No corpo que arrepia

São como dedos de seda
Que percorrem nada,
Na procura de um todo
P’lo meio do silêncio

São pensamentos em turbilhão
Deixando cair lágrimas,
Em boca calada
Que sufoca de tanto ver

A brisa secou a alma,
Esventrou sentimentos,
Dessecou, tolheu o que havia,
E partiu…

Fátima Porto

COMO É TRISTE

COMO É TRISTE

Como é triste ver o por do sol
Sem brilhar nos teus olhos,
Sentir a chuva
E não poder alcançar num abraço
Ou ouvir a nossa melodia
E não poder trauteá-la para ti

Como é triste sentar no banco d’um jardim
E não ter o aconchego do teu colo,
Vaguear de mãos nas mãos,
Beijarmo-nos ao luar
Esquecendo que estamos a ser vistos
Por olhos de felicidade

Como é triste,
Pois só sucede em sonhos meus…

Fátima Porto

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

TEMPO NO TEMPO

TEMPO NO TEMPO

Tempo que passa,
Soltando bocados
Da vida que passou

Presente d’um tempo,
Em silêncio parado,
Marcando horas futuras

Horas,
Minutos,
Segundos,
Tecidos no tempo
Em ponteiros inquietos

Omite-se tempo no tempo
Nas vontades próprias,
Para além do anseio

E o tempo voa
Na brisa do tempo
Sem nunca parar…

Fátima Porto

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

BRISA QUE PASSA

BRISA QUE PASSA

Recordações que o mar nunca levou,
Mas que minh’ alma guarda,
Como a brisa que toca em meu rosto
Lembrando carinhos teus

Suaves,
Delicados,
Pois leram palavras que não falei
Mas que ambos obtemos

Uma aragem quente,
Faz-me sentir tua respiração,
Presente,
Em memória viva
E desejada

Mas a brisa passa,
E tuas carícias estarão em mim,
Sempre...

Fátima Porto

terça-feira, 12 de agosto de 2014

TANTA COISA

TANTA COISA

Tanta coisa para te explicar
Se contigo eu pudesse estar agora,
Mas esta distância teima em nos afastar

Dizer-te o que meu peito sente
Mas abafa,
Estreitar-te no meu colo
Sendo o teu aconchego,
E dizer à minha maneira
Como te amo

Tanta coisa que te queria dizer
E que não posso contar,
Da vontade de te ter em meus braços,
Pois assim nem me explicaria

Ah tanta coisa para te dizer
Que nem sei onde começar,
Mas se estivesses comigo agora,
Cobria teu rosto de beijos
Sem precisar de escrever

Mas como vou começar,
Se tenho tanta coisa para te falar…


Fátima Porto

EU SEI

EU SEI

Eu sei,
O sol põe-se no horizonte,
As lembranças voam,
E o coração estremece

Eu sei,
A noite espreita pelo silêncio
Iluminando ruas na imaginação
Sentindo tua presença

Eu sei,
O toque meigo dos beijos,
Do olhar profundo de vontades
Num aconchego d’enleio

Eu sei,
Que o amor é hábil,
Bradando ao vento que passa
P’la falta da tua presença…

Fátima Porto

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

QUEREM

QUEREM

Querem que abafe as palavras,
Mas sorrio

Querem calcar aquilo que sou,
Mas sigo em frente

Querem amordaçar meus gestos,
Mas abraço-me

Querem tirar minha Liberdade,
Mas não me escondo

Sou aquilo que sou,
E por isso grito
Mesmo que seja ao vento,
Porque não uso refúgios

Dói,
Cansa,
Chega a solidão,
E “fecho-me atrás d’um fecho”…

Fátima Porto

domingo, 10 de agosto de 2014

NO ECO DUM BÚZIO

NO ECO DUM BÚZIO

Guardei -o fundo
No mar do meu Ser,
Bem íntimo de minh’alma,
E coberto de saudades
Da praia onde o encontrei

Nas minhas recordações,
Navega seguro,
Como as areias quentes
Dos abraços perdidos de mim

Deixo-me levar em sonhos,
Aconchegando-me neles
Até adormecer,
Sem ouvir o meu eco

Em silêncio,
Visto memórias guardadas
Tentando reaver búzios perdidos,
Com um corpo despido de nada
Porém, aquecido serenamente,
Num abraço somente de mim…


Fátima Porto

TANTO

TANTO

Quantos beijos ficaram por dar,
Carinhos adormecidos nas mãos,
No meio de abraços

Quanto ficou por dizer,
Na leitura dos olhares
Que podiam ser escritos

Quanta saudade lembrada,
Sem lágrimas num colo vazio,
E vontade de gritar com voz abafada

Oh tanto
E até quando...

Fátima Porto