sábado, 11 de abril de 2015

CHUVA

CHUVA

Chuva de lágrimas misturada
Vai escorrendo p’lo meu rosto
Em murmúrios de silêncios afogados,
Numa alma seca de clamores…

Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

IMPULSOS

IMPULSOS

Olha-me com o mais sensual dos teus olhares,
Olha-me, até te fartares

Sorri com o mais provocante dos teus sorrisos,
Sorri, porque eu de ti preciso

Beija-me com o mais quente dos teus beijares,
Beija-me, até te saciares

Abraça-me com o mais envolvente dos teus abraços,
Abraça-me, até ao nosso cansaço

Acaricia-me com o mais atrevido dos teus carinhos,
Acaricia-me, até encontrares caminhos meus

Acha-me, no delírio dos nossos corpos ardentes,
Acha-me, até sermos um, somente

Repousa em nós, com palavras de olhares,
Repousa nos silêncios nossos…


Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

EU

EU

Menina que fui
Mulher que sou

Gargalhadas que dei,
Lágrimas de sangue que chorei,
Passado que não esqueci,
Vidas que não vivi

Com um filho nos braços
Alegria abençoada de Deus,
Carne da minha carne
Felicidade dos olhos meus

Vivo o presente
Olhando o futuro,
Esperando a bonança
Após a tempestade

Embora aguarde,
Não baixo os braços,
Vou sempre à luta
E de cabeça erguida

Pedras no caminho
Que fazem cair,
Mas que me dão mais força
Para prosseguir

Assim sou eu,
Conforme aqui estou,
A menina que fui,
A mulher que sou…


Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

sexta-feira, 10 de abril de 2015

DOU-TE UMA ROSA

DOU-TE UMA ROSA

Não pretendo olhar em teus olhos,
Ao dar-te a rosa,
Porque falariam mais que os lábios

Ver teu rosto,
Teu corpo,
Nosso desejo

Minha alma iria quer dizer o contrário,
Para não veres
Lágrimas a rolarem
Ao conter um grito
Para ficares comigo

Jogo de palavras em olhares
Quando há sempre um pedir para voltar
Porque mesmo assim,
Amo-te
E deseja-mo-nos

Olha-me em silêncio
E recebe esta rosa em mim...

Fátima Porto

QUANDO...

QUANDO…

Quando a saudade chega,
Uma lágrima rola,
As palavras calam no silêncio,
O corpo arrefece
Sentindo a falta d’um carinho

Quando,
Tudo se torna ausente no presente,
Até as mãos e o regaço
Outrora cheios de tudo,
Agora estão vazios de nada…

Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

quinta-feira, 9 de abril de 2015

UM POUCO LOUCA

UM POUCO LOUCA

De pés amarrados
Num trilho de desgraças
Árduo, doído
Desato os nós
Que impedem meus passos

Quero desprender,
Desatar,
Para correr
Em passos largos
Nos caminhos da fantasia

Deixem-me
Ser um pouco louca,
Sem nós que me prendam
À minha existência…

Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

VENTO

VENTO

Vento,
Que passas ligeiro,
Deixando uma brisa
Doce e suave,
Que toca em meu rosto

Vento,
Que trazes recados,
Num ecoar de mansinho,
Só para mim

Vento,
Que soltas cabelos,
Fazendo esvoaçar roupas
Para me levares contigo

Vento,
Turbilhão de marés,
Em mar revolto
Como minh’alma

Vento,
Aconchegas mágoas,
Nas lágrimas arrancadas e vertidas
Das chagas do peito

Vento,
Que choras baixinho,
Sussurrando tristezas
Nos braços frios d’amargura
Em dias de solidão

Deixa-me voar contigo...

Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

quarta-feira, 8 de abril de 2015

SEDUZINDO A FANTANSIA

SEDUZINDO A FANTASIA

Baloicei em ventos de esperança
Ao amanhecer de dias claros,
Por terras onde o sol aquece,
Com desejo de tal sorte

Deixei a brisa tocar o rosto
Deslizando doce e suave,
Soltando os meus cabelos
No embalo d’um desejo

Oh praia que eu invento,
Aqui ou em qualquer lugar,
Traz-me de volta o tempo,
O tempo que lá deixei

Cantem vitórias palmeiras
Em borbulhar ameno das ondas,
Fazendo acalentar fantasias,
Pois também matam saudades

E vou baloiçando,
Num vai e vem de quem recorda,
Como que se o tempo parasse,
Em relógio sem ponteiros,
Numa despedida ao sol…

Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

O PERDÃO

O PERDÃO

O meu perdão,
Por sentimentos contidos, calados,
Bem fundo do peito

O meu perdão,
Pelas dores e angústias,
Limitadas na alma

O meu perdão,
Porque os olhos leram palavras não ditas,
Mas reprimidas no coração

O meu perdão,
Porque me levantei, mesmo depois de cair,
Até quando faltava forças para prosseguir

O meu perdão,
Das lágrimas incontidas que turvam o olhar,
E quão ardem e destroem como fel

Perdão
Ao meu corpo cansado,
Que desfrute d’um sorriso, Paz e um pouco d’Esperança…

Fátima Porto
DOR POR ENTRE OS DEDOS

Desfaço lentamente
Com mágoa, por entre os dedos,
A flor imaginada na entrega
Algum dia dada

Flor de sorrisos ocos,
De odor que embriagou sentimentos
E que se esmoreceu como o vento

Pétala a pétala, caiem por terra
Momentos lindos, de encantar,
Pisados, calcados,
Nesta tristeza incontida

Minha mão fecha-se
Derramando todo um sofrimento,
Não de raiva, nem de ódio,
Mas um sentido bem profundo
Que tudo faz doer

Porque me querem assim
E dói tanto na Alma?

Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

terça-feira, 7 de abril de 2015

PALAVRAS

Palavras escritas
A que dou sentimento
De boca calada,
Deixando a alma falar,
Em folhas brancas
Com salpicos de paixões

Mágoas tristes,
Banhadas de lágrimas,
Com marcas de ansiedade
Nas palavras por dizer

Ah quem me dera ser poeta,
E ter nas mãos as palavras
Que florescem na minh’alma

Ah se eu fosse poeta,
Largava meu coração
Aos ventos da imaginação…

Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC
SENTIDOS

Sinto teus dedos
Num toque deleitoso,
Pelo meu corpo quase nu

Transformamos a doce sensação,
Na mais bela melodia
Que nossos sentidos já ouviram

Delicia-mo-nos na suavidade tida,
Desejada,
No calor dum abraço...

Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC