sexta-feira, 24 de abril de 2015

MISTÉRIO

MISTÉRIO

Existe um mistério no teu corpo
é feito de desejo e mel
sabe a fantasias quebradas
sonhadas diariamente em vão.

Existe um feitiço no teu olhar
prende as sombras mais fugidias
encandeia a aurora do meu anoitecer
sempre, sempre sem cessar.

Não sei que segredos escondem a tua boca
nem consigo decifrar-lhe o gosto
mas vicia... cativa... prende...mata

Sei que enigma nasce na tua voz
tão doce, sensual, tão limpa
Quero tê-la uma e outra vez

És capricho, tentação doentia
tão difícil é amar-te e não te ter
como ter-te e não te amar...

És ânsia, loucura, perdição
Um doce amargo, nu e cru
que não se deixa saciar

Quero-te como se quer o raio de Sol
permanente, brilhante, inacessível

Desejo-te como se deseja a Lua
musa de prata perdida na noite

Tenho-te como se tem o Vento
brisa suave, furacão, tempestade

Sôfrega espero-te e num minuto alcanças-me
Num minuto, num segundo evades-te

E depois nada mais existe
nada mais me resta

Apenas a memória do cheiro
a figura, o vulto
a força do olhar
o calor do abraço!


Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Á LUZ DA VELA

À LUZ DA VELA

À luz mortiça de uma vela
Minhas lágrimas caiem

É choro abafado,
Com uma alma que sangra
De palavras não ditas,
Sob o olhar de uma vela
De chama trémula
Que finda aos poucos

Amanhece e chove,
Molhando a janela
Do quarto da minha tristeza,
Invadindo o meu ser,
Tendo por companhia a solidão
Iluminada p’la tosca vela
Que se apaga lentamente

E minhas lágrimas vão secando…

Fátima Porto
In “Ecos d’Alma”
Texto registado e protegido pelo IGAC

quarta-feira, 22 de abril de 2015

SIMPLESMENTE ASSIM

SIMPLESMENTE ASSIM

A nossa voz é silêncio,
E somos contornados de sentimentos,
Na presença,
Ausência,
Chegada e partida

Estamos em outra dimensão,
Porque existe um mistério em nós
Pois somos simplesmente assim…

Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

terça-feira, 21 de abril de 2015

SENSAÇÕES

SENSAÇÕES

Trilho por pétalas
Ao passar,
Por aspectos que aspiro,
Em todas as vontades esperadas

Atingir odores
Que subtilmente se misturam
Nos pensamentos dos desejos
Em realidades dos sonhos

Fragrâncias de ter,
Sensação de ser,
Num corpo com sede
Em paixão por saciar…

Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

segunda-feira, 20 de abril de 2015

AO POR DO SOL

AO POR DO SOL

Vejo-te
Em raios quentes
Do sol que se vai escondendo,
À tardinha,
Pois a imaginação voa
De tanta saudade, que dói

Queria fechar os olhos
Inventar teu calor
Numa praia,
Ao por do sol,
Teus raios envolvendo
Como fossem um abraço

Mas oh tristeza minha,
Angústia de minha alma,
O calor que sentia
Era eu que me abraçava

Sonhava estar na praia
Da terra que me viu nascer

Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

ESCONDEU-SE A POESIA

ESCONDEU-SE A POESIA

Escondeu-se a Poesia,
Numa camisa de forças da cidade
Recusando-se à imaginação
Com o apagar do pôr do sol

Escondeu-se a Poesia,
Em laboratórios, ou palestras,
Enquanto as palavras choram
Numa insatisfação delirante

Escondeu-se a Poesia,
De vestes rasgadas,
Cabelos em desalinho,
Num olhar assustado
Por uma viela qualquer

Escondeu-se a Poesia,
No fogo em ardor,
Espalhando faíscas à inspiração
Numa vida abafada

Mas sem a Poesia,
Resta apenas pó,
E a procura d’uma jura de Vida...

Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

domingo, 19 de abril de 2015

AQUI ESTOU

AQUI ESTOU

Como me sinto cheia de nada,
Mas quanto desejava
Estar enleada nos braços
Sugando o mel dos beijos teus

Ah, como alicias a imaginação,
Tendo-te por perto,
Com vontades no olhar
E sem palavras na voz

Vem,
Aqui estarei,
Mulher por inteiro
Em tua busca...

Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

SABOREAR

SABOREAR

Faz-me deliciar
Em teu corpo,
Odores que ficam no ar
Semeados de desejos

Deleitar meus lábios
E degustar suavemente
Com teu gosto

Vem até mim
De mansinho,
Com um estreitar de mãos
Deliciosamente passeando os dedos
Numa extensão a nu

Faz derramar com leveza
Teu líquido em minha língua
Desse néctar permitido,
E por Baco consentido

Ah, vinho dos deuses consagrado,
Que saboreando é pouco,
Em paixão de querer sempre mais…

Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC