domingo, 11 de setembro de 2011

O GRITO


Grita!
Tua consciência não está bem

Grita!
Não adoptas teus enganos

Grita!
Teu interesse não deixa entrar modéstia

Grita!
Queres mas fazes os outros rojar

Grita!
Olha para ti mesmo e vê o que aparece

Grita!
Um natural delírio na tua invenção

Grita!
A existência é dura demais

Grita!
Fantasias são fáceis de criar, fugindo
Tapando alma em chaga
E pranto amargo

ESPERA


Espero-te
Em minha alcova
Envolta em fino tule
Para sentires meu corpo

Quero teu desejo
Em mim
No enleio
Em querer
De beijos mel
Sequiosos

Sentir teu corpo
No meu
Entrançados
Roçando em deleite
Paixão

Em enlevo
As mãos sentir
Sabor do cheiro
De dois corpos
Em um quedarem
Numa expansão que inebria …

A PORTA


Deixei a porta fechada
Como meu coração
De sentimentos velhos
Tal os azulejos
Que vão caindo

A chave não dela sei
Dobradiças enferrujadas
Será que algum dia abrirá
P’ra mostrar meus sentimentos
Que um dia lá deixei

Que abram as portas
Espreitem vizinhas
Mal dizentes
Através dela falarem
Mágoas minhas
Trancadas
Esquecidas ….

sábado, 10 de setembro de 2011

MEU OLHAR


Atravesso
Com olhar
Para além
Da fantasia

Deambulo
Sem palavras
P’lo oculto
Do meu ser
Alma infeliz
Dilacerada
Furtiva
P’ra ninguém ver

Olhos que deixam
Ver espírito
Meus são despojados
Esvaídos
Encontram-se
P’ra lá da existência ….

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

ROSA NEGRA


Sinto em meu peito
Fragrância
D’uma rosa negra
Pele delicada
Sedosa

Por ti entregue
No meu seio
Leve tremor
Bateu

Botão rosa
No meu peito
Matando escasso
Das angústias
Vontades
Por mim trazidas

Rosa negra
Como as vestes
Que trago envergadas

PROVOCO


Olhar sensual
Fixas-me intensamente
Calor intenso
Um arrepio
Queres-me

Corpo que mexe
Sentidos teus
Coração bate forte
Quer sentir
Tocar

Mexer nos cabelos
Desnudar-me
Beijar
Acariciar
Percorrendo caminhos
Recônditos

Quero tua boca
Provoco que desejo
Em explosão …

SOMENTE


Desnudada
Esventrada
Luto por mim
Em angústia
Sofrida

Cai a chuva
No meu corpo
Mas não cai
Na minh'alma
Fechada
Trancada

Sinto frio
Sinto dor
Não tenho lágrimas
Que aqueçam
Somente
Meu abraço …

ESCONDERAM-SE AS PALAVRAS