sexta-feira, 16 de setembro de 2011

CASA AO RELENTO


Cansado pelo pesar dos anos
Descansa
Encolhido
Em noite fria
Em cama que sobrou
No silêncio de um banco de jardim
Numa casa com telhas de estrelas
Paredes de luar
Janelas e portas abertas
Aos olhares de quem passa

Solidão
É tua companhia.

O sonho
É teu agasalho …

PEDAÇOS DE ESCRITA


Retrato
Com pena e tinta
Em papel puro
Pedaços
De vida toldada

Desamores
Ilusões
Lágrimas choradas
Em prantos secos
Escondidos

Existência vã
Magoada
Que faz rolar
Uma lágrima amargurada
Salpicando
Letras molhadas
Manchadas de tinta …

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

JANELA DE ENCANTO


Janela dos meus encantos
Por ela vagueio
Num doce imaginar

Uma brisa
Toca meu rosto
Como carícias tuas
Trazidas pela saudade

Olho o mar
Serenamente
Como quem espera mensagens
Chegadas na espuma das ondas
À areia fina da praia

Corro
Nada encontro
Só uma meiga fantasia
Através do encanto da janela

VELHA MELODIA


Toca
Aquela melodia
Triste
Quando um dia partiste

A pauta
Enrugada
Velha
Como a canção
Um dia tocada

Tempos marcaram
Gravaram
Memórias não esquecidas
De uma velha melodia …

OLHOS TAPADOS


Tapo os olhos
Vejo
O que a alma esconde

São lágrimas de um passado
Esquecido
Não morto

Relembrado
Abre feridas
Que doem
Não quero ver
Minhas angústias
Que teimam
A surgir

Mesmo assim
Tapo os olhos ….

JARDINS ÉDEN


Enrolem cobras mansas
Em corpo nu
No afagar doce
Como tuas mãos
Em carícias
Suaves

Deleitam
Fantasias adoráveis
Que só deuses gozam
No Paraíso idílico
Em serenidade

Desejo
Teus dedos percorram
Mansamente
Caminhos de meus
No ondular
De cobra meiga …

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

PARA LÁ DO TEMPO


Voa
Minha alma
Desfaz-te
Em mil pedaços
Atenua
Confusões
De desalento

Espírito meu
Procura outras zonas
Para lá do tempo
Em ventos suaves
Brandos

Quero sentir
Leveza de voar
Como pétalas
De rosa desfolhada
Ao vento ….

ESCONDERAM-SE AS PALAVRAS