terça-feira, 1 de maio de 2012

SILÊNCIOS...



Noites de meus silêncios
Que dilui em pranto
Como estrelas cadentes
Na paixão que alumia
Meu espírito escurecido

É na solidão da noite
Que me encontro
Em corpo frio
Num regaço vazio

Sombrias ideias
Dissimuladas em lágrimas
Rolam pelo rosto
E vão secando a tristeza

Em olhar longínquo
Não existe tempo
As trevas são extensas
Para quem aguarda….



Fátima Porto

A FERA E EU




Há uma fera dentro de mim
Que controlo, domino

Sentimentos abafados
Que saltam desenfreados
Como animal selvagem
Em urros de desespero

Tranco, algemo
Dentro de minh’alma
Fechando os olhos

A fera e eu
Somos a mesma
Quando a liberto…


Fátima Porto

SIMPLESMENTE ...SINTO!




Sinto erva molhada
Que me traz à realidade

Sinto a brisa que passa
Levando minhas tristezas

Sinto desistir de fantasias
Porque minha alma dói

Sinto silêncios revoltos
Nos gritos sufocados e calados

Sinto ausência de mim
Por sentimentos vãos

Sinto um olhar que se fecha
Porque o coração se algemou

Sinto … porque sinto…



Fátima Porto

segunda-feira, 30 de abril de 2012

SEM SOM



Piano despido
De choros e lamentos
Em acordes
Trinados de lágrimas

Já não se ouve melodias
Percorrendo a escala
Em oitavas
Até ao suave da alma

Foste-te despindo lentamente
Dos bemóis e sustenidos
Numa pauta de emoções
Deixando o lamento emudecer

Resta somente um piano fútil
Calou para sempre sentimentos
Que um dia fez vibrar…



Fátima Porto

TOQUE DE LEVE




Estendi minha mão
Cheia de tudo
Para o sabor do abraço

Um calor que estremece
Na raiz da alma
Que se estende pela seiva de emoções

Poisas ao de leve
Sussurrando pela brisa
Toques de ardor

E voas
Para bem longe
Deixando a saudade no ar
Na minha mão a beleza
Uma tristeza de nada…


Fátima Porto

domingo, 29 de abril de 2012

SOLIDÃO DO PORTO




Perdi meu porto de abrigo
Ao entardecer
Nas águas calmas dum rio

Na solidão gritei
Lágrimas num horizonte
Que arrefecia como eu

Abracei-me aos últimos raios
Aquecendo minh’alma
Das feridas que cozia com teu perdão

Mais um dia se esvai
Contendo meu silêncio
Que se esgota de emoções
Olhando a janela do mundo

Desejo descobrir meu porto
Desaparecido na imensa dor…


Fátima Porto
Fotografia : Luis S. Marques

VESTIR PARA TI




Saída das rochas
E do mais puro agreste
Quero-me vestir para ti
Na alma que sou

Rica de sentimentos
Em tesouros por desvendar
Desnudo meu espírito
À espera que encontres

Trajo as mais ricas vestes
Saída do nada
Ocultando meu rosto
Para que não vejas meus olhos
Falando por mim

As pedras que rodeiam
São a minha solidão
Amargas, doridas e secas
Mas quero vestir-me para ti…


Fátima Porto
Fotografia : Adalberto Gourgel

ESCONDERAM-SE AS PALAVRAS