quinta-feira, 17 de maio de 2012

SALTO PARO O AMOR




Salto desta angústia
Como as lágrimas que rolam
Com o sabor a sal do mar
Que se estende nas areias da praia

Salto deste receio
E saio para a rua em dia de chuva
Deixando molhar-me até à alma
Lavando toda a tristeza

Salto desta mágoa
Fazendo reviver meus sonhos
E deixando entrar o sol em mim

Salto do meu silêncio
Deste desânimo que me isolou
Soltando meus cabelos
Fazendo meu coração sorrir

Meu amor está a chegar
Vou saltar para os seus braços
E esquecer a ausência…


Fátima Porto

MÁGOA POR ENTRE OS DEDOS




Desfaço lentamente
Com mágoa por entre os dedos
A flor imaginada na entrega
Algum dia dada por ti

Flor de sorrisos ocos
De odor que embriagou sentimentos
E que se esmoreceu como o vento

Pétala a pétala cai por terra
Momentos lindos, de encantar
Pisados, calcados
Nesta tristeza incontida

Minha mão fecha-se
Derramando todo um sofrimento
Não de raiva nem de ódio
Mas dorido bem profundo
Que faz estalar todos os ossos

Porque me querem assim
E me dói tanto a Alma?..


Fátima Porto

SUAVE EM TI




Docemente
Percorro o teu corpo
Pé ante pé
Degustando cada detalhe

Fragâncias de uma paixão
Espalham-se pelo ar

Como os corpos se colam
Num descobrir cego
Das vontades que extravasam
Mansamente ansiadas

Braços como raízes que entrelaçam
Num afagar almejado
Silenciado nos beijos meigos
Saboreados lentamente
Sem tempo no tempo

Não existe um mundo lá fora
Apenas o nosso, serenamente…


Fátima Porto

quarta-feira, 16 de maio de 2012




:;:;:;

…Onde vou?
Em busca da Felicidade
Outrora perdida

Porque vou?
A vida sorriu para mim
E eu
Vou sorrir para a Vida!...


Fátima Porto

AI MAMÃ UÉ




Vida
Que passa no tempo
Na solidão perdida no presente
De lágrimas secas
Onde o capim não cresce

Ai mamã ué
Que silêncio triste
Sem danças nem missangas
Com as marimbas tocando
D’um compasso certo

Terra grande
Choro minhas mágoas
Numa cubata vazia
Com a esperança na alma
Das rugas criadas

Nem pó se levanta
Da terra crispada
Tamanha é dor

Ai mamã ué…

Fátima Porto
Fotografia : Adalberto Gourgel




….

…Lentamente
Como brisa que passa
Os pensamentos voam
Um a um

Perdem-se no ar
Para não voltarem…


Fátima Porto

QUIMERAS VÃS




Sobe o céu vermelho
Cabelos soltos ao vento
Com os olhos postos no infinito
Sinto uma chaga rasgar o peito

É fusão de tristeza e nostalgia
Em que rolam lágrimas silenciosamente
Nos pensamentos que fogem de mim
Em várias direções

Ah como gostava de estar onde não estou
Encurtar distâncias no espaço e tempo
E no ponto mais alto abrir os braços
Alcançar o que não consigo

Gritar bem alto quimeras vãs
Que torturam minha alma
Numa solidão escura, sufocada

Mortifico meus sentimentos nesta dor
O silêncio é minha companhia…


Fátima Porto

ESCONDERAM-SE AS PALAVRAS