quarta-feira, 13 de março de 2013

CONSEGUIR VOAR




Faço montes na areia
Numa praia por inventar
Olhando o mar no horizonte

Deixo que meus pensamentos voem
Na brisa suave que passa,
Como pétalas perfumadas de sorrisos
Que vogam nas ondas mansas

Quero voar também
Ir para terras distantes
Levar a esperança na alma,
Alva, como a espuma do mar

Deixem-me conseguir asas
Nos desejos e vontades
E soltar meus desejos
No deleite de uma praia qualquer…


Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC
Fotografia de : Bruno Caratão

VOLTAREI PARA TI




Deixem -me subir ao morro mais alto
Na noite do meu regresso
Para dizer às estrelas que voltei

Voltarei
Sim, voltarei
Mas meu grito será abafado
Em lágrimas de júbilo
Pelo meu regresso

Que se afastem
Para que o meu choro
Enxugue todas as Saudades
Contidas e fechadas na minh’alma

Que o luar me abrace
No calor da noite,
Onde a terra escalda
Com os raios de sol

Sinto ainda o ardor no sangue
Que corre como rio selvagem,
Como o da minha terra,
Desaguando calmo e sereno
Em praias deslumbrantes

Ah minha terra,
Voltarei, sim voltarei
Numa noite envolta em manto de luar
Despedindo-se das estrelas
Para que eu veja o veludo do sol
Num lindo amanhecer

Quero sentir a brisa da minha intenção
Encher meu peito
Para poder gritar
Voltei para ti, minha Terra…


Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

terça-feira, 12 de março de 2013

PALAVRAS




Letras espalhadas no areal
E levadas p’lo vento
Por gaivotas livres
E num mar que as recebe

Abro minhas mãos
Que seguram palavras
Mas que se esgueiram
Por entre os dedos

Escondo-as atrás das rochas
Ou mesmo numa cova
Mas o mar
Vem …
E volta
Para as levar

Palavras …

Escrevo na areia
Palavras da alma
Pedindo ao mar e ao vento
O teu regresso

Mas eles não me ouvem
Levando-as
E eu fico à espera de ti

Palavras…



Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

SEM SOM




Piano despido
De choros e lamentos
Em acordes
Trinados de lágrimas

Já não se ouvem melodias
Percorrendo a escala
Em oitavas
Até ao suave da alma

Foste-te despindo lentamente
Dos bemóis e sustenidos
Numa pauta de emoções
Deixando o lamento emudecer

Resta somente um piano fútil
Calou para sempre sentimentos
Que um dia fez vibrar…



Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

segunda-feira, 11 de março de 2013

GESTOS




Fechando os olhos
Vagueio pelo teu corpo
Tacteando nas palavras sussurradas

Dispo-te livre no tempo
Com ecos de passos ligeiros
Em gestos de paixão,
Falando em silêncio

A noite acontece em nós
Quando as mãos se entrelaçam,
E os corpos se cruzam
Nas sombras de pensamentos
Dos beijos dados

Rompe-se o silêncio
Em rumores abafados
Num amanhecer desnudado,
Transbordando tudo o que há em nós…


Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

RÉSTIA DE LUZ




Palavras retalharam rugas de histórias
Que são lidas em mãos castigadas
De uma tristeza perfumada
No embranquecer de cabelos

Desfizeram-se sonhos, como por magia
Rodeados em trapos velhos
Em vidas de amargura
E em Outonos de esquecimento
Num banco qualquer

Réstias de luz
Iluminam a solidão…

Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

LÁGRIMAS NÃO CHORADAS




Enrosquei-me,
Chorei
Lágrimas de um destino
Secas de palavras

Desnudei-me em pensamentos
De quimeras vãs
Num colo de ilusões

Abracei minh’alma ferida
Dando-lhe calor em dia de tempestade,
Mas a chuva queimava o corpo
No misto das lágrimas que não chorava

Quisera eu voar
Apartando para terras remotas
Vivendo sonhos e fantasias
Sem lágrimas nas palavras…

Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC

ESCONDERAM-SE AS PALAVRAS