terça-feira, 29 de novembro de 2011
AREIAS DO TEMPO
Tempo
Que passou no tempo
Sem nunca parar
Trazendo à memória
Tempo esquecido
Nunca perdido
Remoinhos de ventos
Tentando parar
O tempo presente
Com areias no ar
Escritas sem tinta
Dum livro futuro
Fio que corre
Marcando o tempo
Apagando o passado
Na existência do destino
Da presença do verbo Amar…
Poema editado no Jornel O REBATE de Macaé - Brasil
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
FUMO DA IMAGINAÇÃO
Fumo
Que se levanta
P'la imaginação
Do desejo
Num abraçar
E querer
Fumo
Que perfuma
E faz levitar
Odor de corpos
Suados
Amados
Fumo
Do calor de um beijo
Selo de união
Onde línguas sôfregas
Tacteiam suavemente
No ardor do seu bailado
Fumo
D'amantes queridos
Envolvidos
Esquecidos
Do Mundo e do tempo…
Poema editado no Jornal O REBATE de Macaé - Brasil
DESEJOS AQUECIDOS
Desnudada
Aquecida
Por abraços de amor
Beijos na alma
Lembranças ao pôr-do-sol
Quente até às entranhas
Dois corpos nus
Entrelaçam
Encaixam
Vibram
Desejos
Num olhar vago
Perdido na imaginação
Da espera contida
Ansiada
De um nada…
Poema editado no Jorna O REBATE de Macaé - Brasil
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
PROCURO NADA
Passo a passo
Pés marcados
Na fina areia molhada
Procuro nada
Num silêncio
Sem respostas
Sombra que persegues
Nada és sem mim
Encontra o pensamento
Que atordoa
E inebria minha alma
Mar
De meu encantamento
Não apagues as marcas
Na fina areia molhada…
Poema editado no Jornal O REBATE de Macaé - Brasil
AMOR DE OUTONO
Adormeço
Envolta em folhas de Outono
Amarelecidas
Ao vento frio
Meu afago
Ardor de minha alma
Extingue pouco a pouco
Levando para bem longe
O fumo negro
Das labaredas que incendiou
Poema editado no Jornal O REBATE de Macaé - Brasil
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
VAGUEIO
Ventos açoitam
Tranquilidade da alma
Como tornados
Em dias de vendavais
E a chuva que cai
No peito dorido
São lágrimas minhas
Pesadas
Sofridas
De um coração perdido
Vagueio
Suportando meu penar
Exposto ao vento cruel
Procurando uma luz
Que alegre infeliz vida…
Poema editado no Jornal O REBATE de Macaé - Brasil
QUIMERA
Sonho
Sonhado
Em vãs quimeras
Para trás deixado
Em deleite prostrada
Quisera eu
Ter-te presente
Coração afagar
Carinhos meu corpo gozar
Loucura
Tais quereres
Quando se está só
Vontade de fechar olhos
Para não voar
Nas asas da fantasia
Poema editado no Jornal O REBATE de Macaé - Brasil
MULHER|AVE AGONIZANTE
Alma aniquilada
Frustrada
Imaginação morta
Como uma ave moribunda
Mulher amordaçada
Torturada
Violada
Calada
Escondida
Por medo
Vergonha
Basta!
Basta!!
Mulher de alma esfarrapada
Coração ferido
Calcado
Esventrado
Dá vida ao pássaro
Que habita em teu ser
Deixa-o voar… voar
Mulher
Ser maravilhoso
Que não foi criado
Para ser espezinhado
Mas para ser AMADO!
Poema editado no Jornal O REBATE de Macaé - Brasil
terça-feira, 22 de novembro de 2011
ESTRELA-DO-MAR
Veio uma estrela-do-mar
Abeirar-se dos meus pés
Pensei
Trazer um segredo
Das profundezas do mar
A brisa estava calma
O mar calmo
Espraiava-se na areia
Com a estrela ao meu lado
Surpresa
Espanto
Medo
Senti naquele momento
Ao ver uma estrela
Perto dos meus pés
Peguei nela com carinho
Tal sua delicadeza
Segredo nada me trouxe
Foi um devaneio meu
Por instantes fiquei triste
Deixei uma lágrima rolar
Devolvi ao mar meu tesouro
A pequena estrela-do-mar
Poema editado no Jornal O REBATE de Macaé - Brasil
ENCONTRO DESEJADO
Suspende teu olhar
Ao me quereres
Nossos corpos se encontrarão
No mais puro deleite
Onde próprio Mundo
Só nos pertences
Flutuamos em quimeras
Por nós tidas
Abraços de ardores
Onde almas flamejam
Labaredas que incendeiam
Num encontro almejado
Toca tua mão na minha
Acaricia meu rosto
E verás que é realidade…
Poema editado no Jornal O REBATE de Macaé - Brasil
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
FANTASIAS
Vestida de branco
Sobre as rochas
De uma cascata
Aguardo teu regresso
Imagino-te
Caminhando através da agua que cai
Ao meu encontro
Numa fantasia arrebatada
Desejada
Pretendida
Ansiada
Corpos molhados
Se encontrarão
Vivendo momentos
Prazeres queridos
Transformando-se em um só
Sem palavras
Unicamente num longo beijo…
Poema editado no Jornal O REBATE de Macaé - Brasil
domingo, 20 de novembro de 2011
VIAGEM
Corpo frio
Pensamentos vãos
Dor esquecida
De memórias presentes
Corpo aquecido
No próprio abraço
Perdido no espaço
À procura do teu
Odores misturados no ar
Anseiam em espírito
Poder alcançar
Num imaginário perto de ti
Fechando os olhos
Nessa viagem
Meu corpo
Sente-te
Vibra
Explode
Agarrada a mim…
Poema editado no Jornal O REBATE de Macaé - Brasil
ROSA QUEIMADA
Rosas que incendeiam
Em pétalas de ardor
Com espinhos que ferem
Feridas profundas
Causam lágrimas
Sentidas
Que dilaceram
Almas puras
Incendiando corações
Latejando forte
Em desejos contidos
De um pensamento
Voando para bem longe
Na brisa quente
Da rosa queimada…
Poema editado no Jornal O REBATE de Macaé - Brasil
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
LEMBRANÇAS
Desnudo-me
No nosso mundo
Perante ti
Para nós
Num só corpo
Há um desejo
Contido
Para lá do tempo
De bocas caladas
Olhos falantes
Fixo momentos
Imaginados instantes
Guardados na lembrança
Para nunca esquecidos
Num beijo selado
Olhos nos olhos
Caminhos percorridos
Jamais perdidos…
Poema editado no Jornal O REBATE de Macaé - Brasil
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
DISTÂNCIA
Tempo e distância
Na imaginação
Perde-se
Na voz da realidade
Voando nas asas do vento
Mágoas de separação
Meu olhar pára
À espera da brisa
Que toque meu rosto
Trazendo lembranças tuas
Tempo longo
Memórias guardadas
Esvaídas em deleite
Por nós achados
Pesa em mim
Esta distância no tempo
Onde o Outono da vida
Vai secando as folhas
De tristeza
E saudade…
Poema editado no Jornal O REBATE de Macaé - Brasil
FASCINAÇÃO
Vejo-te na imaginação
Em mim
Meu enlevo
Em devaneio
Mas a tristeza invade
Meus olhos não te vêem
O sonho atraiçoa
Trazendo ao corpo
O tremor
Do teu carinho
Meu pesar é seco
Já teve lágrimas
Como por encanto
E conforto
Tu virás de novo
Em ventos para lá do tempo
Com afagos de ardor
Para delírio meu…
Poema editado no Jornal O REBATE de Macé - Brasil
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
LENTAMENTE
Ar que respiro
Que me fazes viver
Poluído
Seco
Como minha alma
Triste
Matas quem te rodeia
Com teu punhal invisível
Como tudo envelhece
Antes do tempo
Sem tempo
De ter tempo para viver
Morro lentamente
À espera do tempo que não chega …
Poema editado no Jornal O REBATE de Macaé - Brasil
terça-feira, 15 de novembro de 2011
INSEGURANÇA
Caminho duro
Cansada
Penso em tudo
Parece o mundo contra mim
E eu só
Medo
Insegurança
Tristeza na alma
Desejo que o pensamento
Se dissipe com o vento
Para bem longe
Tomam conta de mim
Momentos de solidão
Desesperados
Que dão angústias
De tanta ansiedade
Tento erguer-me
Lutar comigo
Esconder a lágrima
Que quer encontrar o chão
Onde vou pisar…
Poema editado no Jornal O REBATE de Macaé - Brasil
QUERER|SONHAR
Abro os braços
Caminho na direcção
Que a minha alma vê
Mais que sentimento
Desejo, ardor
Vontade louca
De ultrapassar barreiras
Vales e planícies
Atravessar oceanos
Ir contra os ventos
Com vendavais de mim
Ah como a fantasia
Me faz voar como ave
Sonhar em ter asas para fugir
Gritar sem ouvir a voz
Chorar sem lágrimas
Fechar os olhos
E vendo
Só
O vento sacode os cabelos
Sinto um arrepio
Que me faz estremecer
Mas meu olhar
Segue uma alma viva
Numa inquietação
Que os braços não se fechem…
Poema editado no Jornal O REBATE de Macaé - Brasil
domingo, 13 de novembro de 2011
QUERER MAIS
Vou em suspensão
E deixo-me elevar
Na imaginação
Em que a alma
Se supera lentamente
Meu corpo
Suspenso
Desnudado
Esvai-se em ondas
Suaves, calmas
Deixem-me subir mais alto
Para uma entrega total
Onde prazeres não têm barreiras
Desejos ultrapassam limites
E vontades
São render de querer mais
Torrentes de ardor
Soltam encanto sonhado…
Poema editado no Jornal O REBATE de Macaé - Brasil
DOR|PRAZER
Vida em dor
Sofrimento
Angústia
Numa procura
De prazer
Êxtase
Deslumbramento
Extremos que se tocam
Que deliciam
No gozo
De uma existência
Para além do belo
Feridas esquecidas
Amarguras afogadas
Num mar em deleite
De olhos mergulhados
Em almas ávidas de paixão…
Poema editado no Jornal O REBATE de Macaé - Brasil
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
CHEGADA DESEJADA
Ide ventos
Dizer a todo o mundo
Este amor ausente
Que tortura a alma
De angústia
E lágrimas incontidas
A espera é longa
Em te ter presente
Para que afagues
Este coração sofrido
E alivies a dor
No meu peito destroçado
Anseio tua chegada
Sem gritos abafados
Porque o amor em sonhos querido
Na realidade desejada mudará
Juntos nos caminhos da Vida
Poema editado no Jornal O REBATE de Macaé - Brasil
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
SEGREDO ÀS ESTRELAS
Céu estrelado
Brisa suave
Arrepia minha pele
Tenho por companhia
A solidão
Conto as estrelas
Uma a uma
Quero a mais brilhante
Para contar
Segredo meu
Um dia
Hei-de tê-lo comigo
Novamente
E minha alma elevar
Como para outra dimensão
Fosse
Passou tempo
Resguardo-me com o xaile
Aguardando
Aquecer o coração….
Poema editado no Jornal O REBATE de Macaé - Brasil
FILME PASSADO|PRESENTE
Não toquem!
Observo
Sozinha no meu canto
Momentos
Como um filme
Presente
Tudo transmite
Calor, sentir
Arrepios daqueles instantes
Que ficaram gravados
E trazem saudade
Intensamente
Ainda o sinto
O vivo
Guardado no sonho
Doces quimeras
Do passado
Sendo presente
Auguro no tempo
Como se ele parasse
Sentimentos que os olhos não vêem
Escritas em folhas de vento
Com tintas do fogo da alma…
Poema editado no Jornal O REBATE de Macaé - Brasil
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
SUBTILMENTE
Acordo
Misteriosamente
Sentindo o teu corpo em mim
Segredo de meu devaneio
Que transporta minha alma
De olhos fechados
Boca calada
Mas pensamento correndo
Mãos que tocam
Sem sentir
Um quente abraço
Onde coração sofre
Da distância percorrida
Por vales e montanhas
E do nada
Encontra nada
Através do tempo
Olha em meus olhos
E verás a alma
Que sem falar
Palavras nuas, transparentes
Entrarão em ti
Subtilmente…
Poema editado no Jornal O REBATE de Macaé - Brasil
domingo, 6 de novembro de 2011
FOGO EM ALMA FERIDA
Escalei o penhasco
Para gritar bem alto
Deixar o coração explodir
Labaredas incendiar
De um dragão adormecido
Na alma ferida
Ergo meus braços
E o calor queime
Em vómitos de chamas
Revoltas amordaçadas
Angústias choradas
Tristezas mascaradas
Venham ventos
Raios e trovões
Mas nada fará apagar
O fogo que existe em mim
Que farei transbordar
Em forma de línguas
Espadas mortais…
Poema editado no Jornal O REBATE de Macaé - Brasil
SAUDADE TRISTE
Ondas batem
Forte nas rochas
Como bate meu coração
É da saudade que sinto
Da menina que um dia fui
Em terras de outras paragens
Junto ao mar
O sol se põe
Fez-me recordar
Por instantes
O calor encantador
Que um dia deixei de sentir
Angola viu-me nascer
Com seus cheiros que eu amo
Chuva na terra vermelha
Por mais exóticos que sejam
Seu sabor mais degusto
Com nostalgia na alma
Quedas d’água
Cachoeiras
Locais de beleza magistral
Onde florestas espessas
Abrigavam animais sem fim
Muitos anos passaram
Amigos perdidos
Rugas no rosto
Cabelos brancos
E um ferida funda
Sentida
De tanta melancolia…
Poema editado no Jornal O REBATE de Macaé - Brasil
ESPAÇO ABERTO
No espaço
Da minha imaginação
Abro a porta
Em outra dimensão
Para te deixar entrar
Corri
Viajei
Por todos lados
Procurei
Entre satélites
E planetas
Na zona universal
De minha fantasia
Erigi uma porta sempre aberta
Para a invadires
Conquistares
E tomares
De assalto
Sempre que lá chegares
Então divagaremos
Juntos
Num espaço que é só nosso
Mas de porta fechada!
Poema editado no Jornal O REBATE de Macaé - Brasil
sábado, 5 de novembro de 2011
ENROSCADA EM MIM
Choro
Meu peito dói
Sinto angústia
Enrosco em mim
Os cabelos pendem
Tapando minhas lágrimas
Minha alma sangra
Por tanto tumulto
Nela contido
Oh gostaria de adormecer
Poder esquecer
Todos os raios
Tempestades
Que atingem na alma
Dilacerando em feridas profundas
Abraço-me
Para sentir meu calor…
Poema editado no Jornal O REBATE de Macaé - Brasil
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
ABANDONADA
Na penumbra que me ponho
Saiam meus pensamentos
Minha alma cala
Sozinha
Todos sentimentos
Queria gritar bem alto
Espírito livre
Rasgado ao vento
Mas minha voz embarga
Não oiço mais que lamentos
Enrosco-me na solidão
Irmã que abraça e aquece
Fecho os olhos de mansinho
E esquecer que anoitece
Ah dor sofrida
Angústia de minha alma
Calo só, amordaçada
Indago aos sete ventos
Porquê tanta tristeza
O vento vai e não volta
Abandonada fico
Em lágrimas de revolta…
Poema editado no Jornal O REBATE de Macaé - Brasil
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
A TI PAI/SAUDADE
Saudade
Palavra que atrofia o coração
Faz doer na alma
E rolar um lágrima
Saudade
De um abraço terno
Um beijo amigo
Querer bem
Saudade
De uma ausência
Que permanece
Presente
Embora escondida
Saudade
É o que sinto de ti
Dos teus carinhos
Palavras doces
Do meu colo que foi teu
Saudade
Palavra triste
Que ao dizer-te adeus
As minhas lágrimas secaram
Num grito sufocado
Tenho saudade de ti
Meu Pai
Poema editado no jornal O REBATE de Macaé - Brasil
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
LITERATAS - Revista de Leitura Moçambicana e Lusófona (entrevista)
Escrever para extravasar sentimentos através da Poesia
Por Eduardo Quive
O seu processo de criação não ultrapassa os meus humanos comandados pelos sentimentos, mas o produto final, que é a sua poesia, ultrapassa continentes e forma um horizonte que cujo alcance é sempre o mesmo para o leitor – a insatisfação. Lemos sempre, mas sempre, queremos mais. Na sua poética forma de “extravasar sentimentos”, navega o Atlântico que banha os trópicos da África, negra terra que a viu nascer, mas neste mesmo oceano, embrulha-se um outro continente que a acolhe temporariamente, como declara nesta entrevista. Aliás, segundo ela, na sua poesia, podemos encontrar o grito de saudades da mãe África “quem os ler, vê a saudade, a tristeza, a dor, até mesmo a revolta de ter visto os seus filhos partirem… “Mas havemos de voltar!”, já assim dizia Alda Lara!” é bancária de profissão e Portugal a acolhe desde a tenra idade, mas o seu berço, é aquele que é da humanidade – África, mais concretamente, em Angola, terra de Pepetela e Agualusa, exímios escritores dos tempos de hoje. Quem sabe ela também será! … Falo-vos de uma mulher que ostenta o nome de Fátima Porto.
Eduardo Quive: Que espaço ocupa a literatura na sua vida?
Fátima Porto: A literatura tem um espaço muito importante, desde a leitura de obras de autores nacionais e internacionais, como até a minha própria escrita.
Eduardo Quive: O que a leva a escrever?
Fátima Porto: Extravasar todos os meus sentimentos, sejam eles de dor, alegria, até mesmo de Amor.
Eduardo Quive: Quando é que escreve?
Fátima Porto: Sempre que sinto necessidade para tal, o que posso mesmo dizer, que é uma constante diária.
Eduardo Quive: A quanto tempo escreve?
Fátima Porto: Desde muito cedo que comecei a escrever, desde pensamentos poéticos a pequenos textos poéticos que mais tarde se transformariam na minha grande paixão literária.
Eduardo Quive: Que passos obedece o seu processo de criação?
Fátima Porto: Essencialmente a minha vivência do quotidiano; por vezes uma fotografia pode traduzir em mim, a essência “forte” para “entrar” dentro do contexto e transformar em letras tudo aquilo que sinto.
Eduardo Quive: Escreve só poesia?
Fátima Porto: Sim, apenas poesia.
Eduardo Quive: Porque razão?
Fátima Porto: É o estilo de escrita que mais se coaduna com o meu “EU”, e por outro lado, eu costumo dizer que “a poesia não se aprende, já nasce connosco”.
Eduardo Quive: Que influências literárias você tem?
Fátima Porto: Influências, não direi, mas gosto da obra completa de Florbela Espanca, Alda Lara, Fernando Pessoa, António Nobre no seu livro “Só”.
Eduardo Quive: Estarão (as influências literárias) iminentes no que escreve?
Fátima Porto: Inconscientemente, acredito que estejam, no caso de Alda Lara, pelo facto de ela ter morado em Portugal enquanto estudante, e nessa altura escreveu muito sobre Angola e as suas saudades, por outro lado, quem conhece a obra de Florbela, compara-me um pouco a ela, mas no essencial, é a minha Alma que “fala”, que “grita” a dor nela contida, e de mais ninguém.
Eduardo Quive: Qual é a sua maior preocupação quando escreve?
Fátima Porto: Conseguir transmitir o que sinto, passar através das letras os sentimentos, por vezes dolorosos, que me vão na alma.
Eduardo Quive: Que dificuldade tem encarado na criação de um texto?
Fátima Porto: Pouca dificuldade. Sou sincera, por vezes, começo a escrever, e as palavras fluem com tal ligeireza, que quando me apercebo, já estou na parte final.
Eduardo Quive: E qual é o espaço que tem para gritar os seus sentimentos expostos no que escreve?
Fátima Porto: Neste momento, tenho um blog (http://portodefatima.blogspot.com) onde por vezes dou gritos abafados, choro lágrimas secas, e olho o horizonte vazio de nada!
Eduardo Quive: Está nos seus planos lançar um livro? Sim, graças a um amigo, também poeta Ângelo Vaz, muito brevemente iremos editar um livro, em parceria, “CAPAS”.
Eduardo Quive: Tem publicado os seus textos no Brasil (jornal O REBATE) isso por falta de espaço no seu País?
Fátima Porto: Essa pergunta é pertinente, mas infelizmente, apesar de sermos observados por todos os lados, foi do Brasil, e mais propriamente do Jornal O REBATE, que recebi o convite para ser colunista diária do mesmo, que aceitei, claro.
Eduardo Quive: Quer comentar sobre a situação em que situação está a Angola em termos de divulgação de novos autores?
Fátima Porto: Angola, como todos os novos Países Lusófonos, está a dar uma grande evolução na divulgação dos novos autores.
Eduardo Quive: Tem contacto com as literaturas de outros países Lusófonos?
Fátima Porto: Sim, é uma grande preocupação minha ter contacto com a literatura de todos os Países, principalmente Lusófonos.
Eduardo Quive: E de Moçambique?
Fátima Porto: Também, claro. Mia Couto, por exemplo, esteve recentemente em Portugal, e segui com muita atenção, inclusive, o programa de TV onde o escritor, na sua intervenção, dissertou, sobre o tema “Ter medo que o medo acabe”.
Eduardo Quive: Acha que há uma interacção literária entre esses países?
Fátima Porto: Sim, acho que há, mas a meu ver, deveria haver interligação através de Congressos, abrangendo também os que estão a dar os primeiros passos na literatura.
Eduardo Quive: Quer mencionar a sua lista de escritor lusófonos?
Fátima Porto: Milton Gama, Carlos Drummond de Andrade, Mário de Miranda Quintana (ambos brasileiros) Agostinho Neto, Alda Lara, José Eduardo Agualusa, Pepetela, (angolanos) Mia Couto, Ruy Guerra (moçambicanos) Yara Tavares, Eugénio Santos (cabo-verdianos) Alda do Espírito Santo, Conceição Lima (São-tomenses), Luís Cardoso de Noronha, Fernando Sylvan (timorenses), Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Luís de Camões, António Nobre (antigos escritores portugueses, mas imortais) Agustina Bessa Luís, José Saramago – Prémio Nobel da Literatura, Miguel Esteves Cardoso, Miguel Torga e tantos outros…
Eduardo Quive: Sei que está no sector bancário, mas sente que há cultura de leitura no seio de estudantes?
Fátima Porto: Com as novas tecnologias informáticas, o gosto pela leitura dispersou-se um pouco, mas cabe aos Pais e aos Professores voltar a incutir esse gosto de LER!
Eduardo Quive: Que palavras diria a um iniciante da escrita?
Fátima Porto: Muito simplesmente: “Leiam muito, aprendam a gostar de ler para serem bons escritores”!
Eduardo Quive: Angola está presente nos seus escritos?
Fátima Porto: Claro que sim, Angola minha terra natal, está e estará sempre presente.
Eduardo Quive: Como?
Fátima Porto: Em vários poemas, desde “Menino””África I”, “África II”, “Para lá do mar”,”Mãe Preta África”… quem os ler, vê a saudade, a tristeza, a dor, até mesmo a revolta de ter visto os seus filhos partirem… “Mas havemos de voltar!”, já assim dizia Alda Lara!
“Para lá do mar”
Olho o mar
Pensativa
Calma que ele me traz
Estará pr’além do horizonte
Que tanto me atrai o mar
Saudades da minha terra
Que um dia deixei
Meu coração
Então ficou
Junto ao cheiro da terra molhada
Ainda sinto trazido p’lo vento
De tão longe paragens
É bálsamo para minh’alma
Ferida pela distância
Dá-me tal nostalgia
Lembrar dias que vivi
Gostaria de voltar a ver
Nas minhas mãos ter
Por entre os dedos escorrer
Pó e terra
Que me viu nascer
Para matar esta saudade
Prometi junto ao mar
Mesmo que fosse velhinha
Havia de lá voltar…
07/09/2011
Biografia:
Nome: Maria de Fátima de Carvalho Oliveira da Cunha Porto
Data de nascimento: 23 de Janeiro de 1959
Naturalidade: Catumbela, Benguela, Angola
Actividade Profissional: Bancária
Fez os seus estudos primários na Catumbela, continuando os mesmosem Novo Redondo(Sumbe). Concluiu o 5ºAno do Liceu em Benguela.
Veio para Portugal em 1975 onde continuou os estudos em Coimbra e Oliveira do Bairro.
Fátima Porto, fez parte da Rádio Voz da Bairrada em Oliveira do Bairro.
Nessa Rádio foi responsável pelos seguintes programas:
Programa Infantil semanal, “ Bola de Sabão”, (sábados à tarde).
Revista Semanal, Nacional e Internacional incluindo desporto, (programa semanal, aos sábados).
Voz de África, (programa semanal).
Pensamento Diário (temas generalizados).
Programa desportivo, como pivô (programa semanal aos domingos)
Muito cedo que a escrita poética é uma busca constante até os dias de hoje.
Faz parte da redacção poética de jornal O REBATE de Macaé-Rio de Janeiro, Brasil.
tags: fátima porto
publicado por Revista Literatas às 09:09 .
Por Eduardo Quive
O seu processo de criação não ultrapassa os meus humanos comandados pelos sentimentos, mas o produto final, que é a sua poesia, ultrapassa continentes e forma um horizonte que cujo alcance é sempre o mesmo para o leitor – a insatisfação. Lemos sempre, mas sempre, queremos mais. Na sua poética forma de “extravasar sentimentos”, navega o Atlântico que banha os trópicos da África, negra terra que a viu nascer, mas neste mesmo oceano, embrulha-se um outro continente que a acolhe temporariamente, como declara nesta entrevista. Aliás, segundo ela, na sua poesia, podemos encontrar o grito de saudades da mãe África “quem os ler, vê a saudade, a tristeza, a dor, até mesmo a revolta de ter visto os seus filhos partirem… “Mas havemos de voltar!”, já assim dizia Alda Lara!” é bancária de profissão e Portugal a acolhe desde a tenra idade, mas o seu berço, é aquele que é da humanidade – África, mais concretamente, em Angola, terra de Pepetela e Agualusa, exímios escritores dos tempos de hoje. Quem sabe ela também será! … Falo-vos de uma mulher que ostenta o nome de Fátima Porto.
Eduardo Quive: Que espaço ocupa a literatura na sua vida?
Fátima Porto: A literatura tem um espaço muito importante, desde a leitura de obras de autores nacionais e internacionais, como até a minha própria escrita.
Eduardo Quive: O que a leva a escrever?
Fátima Porto: Extravasar todos os meus sentimentos, sejam eles de dor, alegria, até mesmo de Amor.
Eduardo Quive: Quando é que escreve?
Fátima Porto: Sempre que sinto necessidade para tal, o que posso mesmo dizer, que é uma constante diária.
Eduardo Quive: A quanto tempo escreve?
Fátima Porto: Desde muito cedo que comecei a escrever, desde pensamentos poéticos a pequenos textos poéticos que mais tarde se transformariam na minha grande paixão literária.
Eduardo Quive: Que passos obedece o seu processo de criação?
Fátima Porto: Essencialmente a minha vivência do quotidiano; por vezes uma fotografia pode traduzir em mim, a essência “forte” para “entrar” dentro do contexto e transformar em letras tudo aquilo que sinto.
Eduardo Quive: Escreve só poesia?
Fátima Porto: Sim, apenas poesia.
Eduardo Quive: Porque razão?
Fátima Porto: É o estilo de escrita que mais se coaduna com o meu “EU”, e por outro lado, eu costumo dizer que “a poesia não se aprende, já nasce connosco”.
Eduardo Quive: Que influências literárias você tem?
Fátima Porto: Influências, não direi, mas gosto da obra completa de Florbela Espanca, Alda Lara, Fernando Pessoa, António Nobre no seu livro “Só”.
Eduardo Quive: Estarão (as influências literárias) iminentes no que escreve?
Fátima Porto: Inconscientemente, acredito que estejam, no caso de Alda Lara, pelo facto de ela ter morado em Portugal enquanto estudante, e nessa altura escreveu muito sobre Angola e as suas saudades, por outro lado, quem conhece a obra de Florbela, compara-me um pouco a ela, mas no essencial, é a minha Alma que “fala”, que “grita” a dor nela contida, e de mais ninguém.
Eduardo Quive: Qual é a sua maior preocupação quando escreve?
Fátima Porto: Conseguir transmitir o que sinto, passar através das letras os sentimentos, por vezes dolorosos, que me vão na alma.
Eduardo Quive: Que dificuldade tem encarado na criação de um texto?
Fátima Porto: Pouca dificuldade. Sou sincera, por vezes, começo a escrever, e as palavras fluem com tal ligeireza, que quando me apercebo, já estou na parte final.
Eduardo Quive: E qual é o espaço que tem para gritar os seus sentimentos expostos no que escreve?
Fátima Porto: Neste momento, tenho um blog (http://portodefatima.blogspot.com) onde por vezes dou gritos abafados, choro lágrimas secas, e olho o horizonte vazio de nada!
Eduardo Quive: Está nos seus planos lançar um livro? Sim, graças a um amigo, também poeta Ângelo Vaz, muito brevemente iremos editar um livro, em parceria, “CAPAS”.
Eduardo Quive: Tem publicado os seus textos no Brasil (jornal O REBATE) isso por falta de espaço no seu País?
Fátima Porto: Essa pergunta é pertinente, mas infelizmente, apesar de sermos observados por todos os lados, foi do Brasil, e mais propriamente do Jornal O REBATE, que recebi o convite para ser colunista diária do mesmo, que aceitei, claro.
Eduardo Quive: Quer comentar sobre a situação em que situação está a Angola em termos de divulgação de novos autores?
Fátima Porto: Angola, como todos os novos Países Lusófonos, está a dar uma grande evolução na divulgação dos novos autores.
Eduardo Quive: Tem contacto com as literaturas de outros países Lusófonos?
Fátima Porto: Sim, é uma grande preocupação minha ter contacto com a literatura de todos os Países, principalmente Lusófonos.
Eduardo Quive: E de Moçambique?
Fátima Porto: Também, claro. Mia Couto, por exemplo, esteve recentemente em Portugal, e segui com muita atenção, inclusive, o programa de TV onde o escritor, na sua intervenção, dissertou, sobre o tema “Ter medo que o medo acabe”.
Eduardo Quive: Acha que há uma interacção literária entre esses países?
Fátima Porto: Sim, acho que há, mas a meu ver, deveria haver interligação através de Congressos, abrangendo também os que estão a dar os primeiros passos na literatura.
Eduardo Quive: Quer mencionar a sua lista de escritor lusófonos?
Fátima Porto: Milton Gama, Carlos Drummond de Andrade, Mário de Miranda Quintana (ambos brasileiros) Agostinho Neto, Alda Lara, José Eduardo Agualusa, Pepetela, (angolanos) Mia Couto, Ruy Guerra (moçambicanos) Yara Tavares, Eugénio Santos (cabo-verdianos) Alda do Espírito Santo, Conceição Lima (São-tomenses), Luís Cardoso de Noronha, Fernando Sylvan (timorenses), Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Luís de Camões, António Nobre (antigos escritores portugueses, mas imortais) Agustina Bessa Luís, José Saramago – Prémio Nobel da Literatura, Miguel Esteves Cardoso, Miguel Torga e tantos outros…
Eduardo Quive: Sei que está no sector bancário, mas sente que há cultura de leitura no seio de estudantes?
Fátima Porto: Com as novas tecnologias informáticas, o gosto pela leitura dispersou-se um pouco, mas cabe aos Pais e aos Professores voltar a incutir esse gosto de LER!
Eduardo Quive: Que palavras diria a um iniciante da escrita?
Fátima Porto: Muito simplesmente: “Leiam muito, aprendam a gostar de ler para serem bons escritores”!
Eduardo Quive: Angola está presente nos seus escritos?
Fátima Porto: Claro que sim, Angola minha terra natal, está e estará sempre presente.
Eduardo Quive: Como?
Fátima Porto: Em vários poemas, desde “Menino””África I”, “África II”, “Para lá do mar”,”Mãe Preta África”… quem os ler, vê a saudade, a tristeza, a dor, até mesmo a revolta de ter visto os seus filhos partirem… “Mas havemos de voltar!”, já assim dizia Alda Lara!
“Para lá do mar”
Olho o mar
Pensativa
Calma que ele me traz
Estará pr’além do horizonte
Que tanto me atrai o mar
Saudades da minha terra
Que um dia deixei
Meu coração
Então ficou
Junto ao cheiro da terra molhada
Ainda sinto trazido p’lo vento
De tão longe paragens
É bálsamo para minh’alma
Ferida pela distância
Dá-me tal nostalgia
Lembrar dias que vivi
Gostaria de voltar a ver
Nas minhas mãos ter
Por entre os dedos escorrer
Pó e terra
Que me viu nascer
Para matar esta saudade
Prometi junto ao mar
Mesmo que fosse velhinha
Havia de lá voltar…
07/09/2011
Biografia:
Nome: Maria de Fátima de Carvalho Oliveira da Cunha Porto
Data de nascimento: 23 de Janeiro de 1959
Naturalidade: Catumbela, Benguela, Angola
Actividade Profissional: Bancária
Fez os seus estudos primários na Catumbela, continuando os mesmosem Novo Redondo(Sumbe). Concluiu o 5ºAno do Liceu em Benguela.
Veio para Portugal em 1975 onde continuou os estudos em Coimbra e Oliveira do Bairro.
Fátima Porto, fez parte da Rádio Voz da Bairrada em Oliveira do Bairro.
Nessa Rádio foi responsável pelos seguintes programas:
Programa Infantil semanal, “ Bola de Sabão”, (sábados à tarde).
Revista Semanal, Nacional e Internacional incluindo desporto, (programa semanal, aos sábados).
Voz de África, (programa semanal).
Pensamento Diário (temas generalizados).
Programa desportivo, como pivô (programa semanal aos domingos)
Muito cedo que a escrita poética é uma busca constante até os dias de hoje.
Faz parte da redacção poética de jornal O REBATE de Macaé-Rio de Janeiro, Brasil.
tags: fátima porto
publicado por Revista Literatas às 09:09 .
terça-feira, 1 de novembro de 2011
RETALHOS DA ALMA
Espero
Em retalhos
Que se encaixam
De mim
Cortados
Retalhados
Na alma
Que chora
Num rosto seco
De amarguras
Noite escura
Sem luar
Procuro a luz
Que um dia brilhou
Em estrela cadente
Meu corpo nu
Veste-se
De roupas de nada
Para te dizer
Em palavras mudas
As feridas que sangram
Do meu peito…
Poema editado no Jornal O REBATE de Macaé - Brasil
ÉS TU...HOMEM!
Homem
Que pensas e reflectes
Maltratando tua alma
Homem
Que voas em turbilhão
Arrancando sentimentos
Homem
Que escondes os choros e lamentos
Com um véu que esvoaça
Mostrando quem tu és
Homem
Que tua fraqueza
Recai nas coisas mais simples e lindas
Mostrando ser forte
Homem
Que encantas e desencantas
De igual forma
Como qualquer ser humano
Desnuda tua alma
Enfrenta tuas fraquezas e ergue-te
Deixando as lágrimas rolarem
Porque o guerreiro da batalha da vida
És tu … Homem!
Poema editado no jornal O REBATE de Macaé - Brasil
SEM TE VER
Tua mão
Na minha
Teu corpo nu
Que aquece o meu
Acende a chama
Do desejo
De sentir
Sem te ver
Meus olhos cegos
Pressentem
O que a alma
Sussurra de mansinho
Doce ardor
Meu peito carrega
Na tua ausência
Em noites sonhado
De saudades
Por não ver
Quem tanto anseio
E desespero…
Poema editado no Jornal O REBATE de Macaé - Brasil
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