PERTO/LONGE
Longe,
Num tempo que passou veloz,
Não fazendo dissipar lembranças,
Nem desejos e vontades
Longe,
Em que o querer se torna maior,
Na existência e no viver,
D'uma promessa feita em silêncio
Longe,
De abraçar até onde o horizonte se alcança,
Em minhas mãos vazias,
Mas num coração repleto de tudo
Longe,
Onde a terra é quente,
Os cheiros se diluem com sabores,
E o mágico sol presenteia a lua, na despedida, ao se pôr
Longe,
Onde é meu querer,
Numa terra que chama por mim,
Porque deixou cravada no sangue,
Nuvens d'algodão,
Perfume dos cafezais,
Frenesim das batucadas,
E odor de barro vermelho
Que moldou meu ser
Longe,
Que está sempre perto...
Fátima Porto.
Texto registado e protegido pelo IGAC
quarta-feira, 10 de julho de 2013
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