sábado, 5 de maio de 2012

CONQUISTAR ASAS




Faço castelos na areia
Numa praia por inventar
Olhando o mar no horizonte

Deixo voar meus pensamentos
Pela brisa que passa por mim
Em pétalas perfumadas de sorrisos
Que vogam nas ondas mansas

Quero voar também
Ir para terras distantes
E levar a esperança na alma
Alva, como a espuma do mar

Deixem-me conquistar asas
Nos desejos e vontades
E soltar meus quereres
Na alegria de uma praia qualquer…


Fátima Porto



...Oh não me esqueci de ti...
É quando me encho de sorrisos nas flores
Quando mais me lembro

Tua fragrância na minha alma
Abraça meu Ser...



...Quem disse que o Tempo ajudava a "esquecer"...
É porque nunca conheceu um ABRAÇO !

ANGOLA




Terra nossa, terra minha
De contrastes facetados
Deixaste raízes cravadas
Sugando seiva de saudade

Mesmo na aridez tens beleza
Deslumbrante de memórias
Transformado na tristeza sem te ver

Foram anos, vidas
“Bebendo” aromas e sabores
Do pó da terra seca
O cheiro de uma grande chuva
Que não se sente outro igual

Ah terra nossa, terra minha
Sinto-te nas minhas veias
Cheia de nostalgia
Que me invade o pensamento
Quando meus olhos fecham…


Fátima Porto

sexta-feira, 4 de maio de 2012

IMAGINAÇÃO EM ASAS




Criarei asas e voarei
Até onde a minha imaginação chegar

Por mar…por terra
Não terei limites num céu azul pintado de nuvens

Meus pensamentos irão com a brisa
Silenciosos aconchegando a alma

Serão como águas calmas
Na solidão de um porto de abrigo

E nas noites não terei bússolas
As estrelas irão guiar-me

Calarei meu grito de desespero
Num eco abafado na montanha mais alta
Pois de meu peito rasgado
As mágoas e choros espalharei ao vento

Oh vãs fantasias
Deixem voar meus sonhos…


Fátima Porto

LAÇO CRIADO




Desata o nó
Dado com força
No entrelaçar da paixão

Quão difícil desprender
Os nós que nos ataram

Pois que ventos levem laços
Que nem pensamentos desligam
Onde olhares calaram suaves
Por nós dados mas não desatados

Pontas dos nós ficaram guardadas
Em laços apertados e nunca separados
Que se cruzam no afastamento
Mas sempre presentes no laço criado

Desata o nó
Do laço criado…



Fátima Porto

quinta-feira, 3 de maio de 2012

FRIO NO SILÊNCIO




Despida de nada
Tudo me traz a solidão

Atravesso o espelho dum presente
Pela memória do passado

Abraço-me na procura do teu calor
Ensaiando emoções partilhadas

Mas meu corpo sente frio no silêncio
Em lençóis amarrotados pela lembrança

Recordações dos lábios suaves de um beijo
Carícias consentidas e desejadas

Apenas são pensamentos calados
Voaram com o tempo…


Fátima Porto
Fotografia : Adalberto Gourgel

SENSAÇÕES...




Águas que borbulham
Extravasam tristezas
Do leito de minh’alma

Meu corpo dilui-se com mágoas
Não deixando ver o espelho dos olhos
Soltando sensações ao vento
Doridas, sofridas

Quero sentir a água no meu corpo
Do calor que me faz viver
Pois do teu abraço já não o sinto

Perdeste-te na distância
E na ausência….


Fátima Porto
Fotografia : Adalberto Gourgel

quarta-feira, 2 de maio de 2012

AMOR...




Amor que é amor
Dura uma vida inteira
Mas se assim não foi
Nunca foi amor

Amor resiste à distância
Separação
Silêncio
Até traição

No amor existe
Confiança
Respeito
Espaço
Perdão

Se quase tudo faltar no Amor não é Amor
É solidão…


Fátima Porto
Fotografia : Adalberto Gourgel

PORTA POR ABRIR




Os vidros da porta
Separam-me do mundo
À espera do brilho de uma luz
Para que se deixe abrir

Minha alma sente-se infeliz
Recordações acarretam trevas
Que me afastam de tudo
Para viver num universo de fantasias

Imaginações fictícias
Traçadas na minha solidão
Onde o silêncio domina
Regada por lágrimas vindas do coração

Espero que a porta se abra
E que a luz me venha alumiar…



Fátima Porto.
Fotografia : Adalberto Gourgel

terça-feira, 1 de maio de 2012

SILÊNCIOS...



Noites de meus silêncios
Que dilui em pranto
Como estrelas cadentes
Na paixão que alumia
Meu espírito escurecido

É na solidão da noite
Que me encontro
Em corpo frio
Num regaço vazio

Sombrias ideias
Dissimuladas em lágrimas
Rolam pelo rosto
E vão secando a tristeza

Em olhar longínquo
Não existe tempo
As trevas são extensas
Para quem aguarda….



Fátima Porto

A FERA E EU




Há uma fera dentro de mim
Que controlo, domino

Sentimentos abafados
Que saltam desenfreados
Como animal selvagem
Em urros de desespero

Tranco, algemo
Dentro de minh’alma
Fechando os olhos

A fera e eu
Somos a mesma
Quando a liberto…


Fátima Porto

SIMPLESMENTE ...SINTO!




Sinto erva molhada
Que me traz à realidade

Sinto a brisa que passa
Levando minhas tristezas

Sinto desistir de fantasias
Porque minha alma dói

Sinto silêncios revoltos
Nos gritos sufocados e calados

Sinto ausência de mim
Por sentimentos vãos

Sinto um olhar que se fecha
Porque o coração se algemou

Sinto … porque sinto…



Fátima Porto

segunda-feira, 30 de abril de 2012

SEM SOM



Piano despido
De choros e lamentos
Em acordes
Trinados de lágrimas

Já não se ouve melodias
Percorrendo a escala
Em oitavas
Até ao suave da alma

Foste-te despindo lentamente
Dos bemóis e sustenidos
Numa pauta de emoções
Deixando o lamento emudecer

Resta somente um piano fútil
Calou para sempre sentimentos
Que um dia fez vibrar…



Fátima Porto

TOQUE DE LEVE




Estendi minha mão
Cheia de tudo
Para o sabor do abraço

Um calor que estremece
Na raiz da alma
Que se estende pela seiva de emoções

Poisas ao de leve
Sussurrando pela brisa
Toques de ardor

E voas
Para bem longe
Deixando a saudade no ar
Na minha mão a beleza
Uma tristeza de nada…


Fátima Porto

domingo, 29 de abril de 2012

SOLIDÃO DO PORTO




Perdi meu porto de abrigo
Ao entardecer
Nas águas calmas dum rio

Na solidão gritei
Lágrimas num horizonte
Que arrefecia como eu

Abracei-me aos últimos raios
Aquecendo minh’alma
Das feridas que cozia com teu perdão

Mais um dia se esvai
Contendo meu silêncio
Que se esgota de emoções
Olhando a janela do mundo

Desejo descobrir meu porto
Desaparecido na imensa dor…


Fátima Porto
Fotografia : Luis S. Marques

VESTIR PARA TI




Saída das rochas
E do mais puro agreste
Quero-me vestir para ti
Na alma que sou

Rica de sentimentos
Em tesouros por desvendar
Desnudo meu espírito
À espera que encontres

Trajo as mais ricas vestes
Saída do nada
Ocultando meu rosto
Para que não vejas meus olhos
Falando por mim

As pedras que rodeiam
São a minha solidão
Amargas, doridas e secas
Mas quero vestir-me para ti…


Fátima Porto
Fotografia : Adalberto Gourgel

VOU ESCREVENDO




Abro o livro das ideias
Dentro da minha solidão
E as palavras soltam-se

Junto-as uma a uma
Deixo voar emoções
Em voz calada no silêncio

Páginas são viradas
Deixando o passado
Mas vivendo o presente
Nas folhas brancas

Sentimentos esculpidos
No calor da alma
Fazendo ecoar amores contidos

Livro que nunca se fechará
Mesmo que fique inacabado…



Fátima Porto