sábado, 27 de agosto de 2011

SOLTAM-SE LÁGRIMAS



Rola uma lágrima
Teimosa
Com saudades de ti…

Na noite
Sozinha no meu quarto
Imagino-te
Perto de mim
Abraçando
Querendo

Baixinho
As lágrimas soltam-se
Uma a uma
Molhando meu peito
Minha alma de dor

Lágrimas de saudade….

O FUMO DE CIGARRO



Alienação
Insânia
Procura de fugir da existência
Numa ausência
Para lá do prazo

Olhar despojado
Vendo tudo
Mesmo o não existente

Cabelos despenteados
Desmazelados
A tapar o rosto
De uma timidez
Retida, talvez

O fumo do cigarro
Aquieta fantasia
Em chão frio ….

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

VIAGEM NA FANTASIA



Tranquilidade
Quietude
Meu espírito
Absorve-se
De olhos cerrados
Errando
Na minha fantasia

Desejo ternuras tuas
Beijos com gosto a mel
Abarcando meu físico
Lentamente

Mãos que vagam
Trilhos ocultos
Revelados

Boca de lábios suculentos
Que murmura
Palavras quentes e melosas
Beija minha nuca
Viajo

Viajo na minha fantasia …..

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

MARCAS DO PASSADO



Por entre rendas
Ornadas no tempo
Em ilusões extintas
Fixas em molas
De roupas já sem uso
Onde os ponteiros
Dos relógios do tempo
Já estacaram!

Fotografias avelhentadas
Descoradas,
Só acarretam à lembrança
Arquivos de trajes sombrios
Aparências duras
Sem sorrisos de crianças

Sinal d’um passado
Não muito remoto
Mas eternamente presente…!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

PENSO ....



Na noite
Que velozmente acabou
Em que nossos corpos
Nus e juntos
Se colaram
Com meiguices e beijos

Nas tuas mãos
Leves, deleitosas
Que meu corpo erraram
Fazendo-me pulsar
Encrespar a cada contacto

Nossas coxas que se aliaram
No enredar d’um amor
Que expandiu-se em enlevo
Enquanto nossas bocas
Cruzavam beijos desejosos

Acendo um cigarro e penso …
Penso na noite que passou …!

O CHORO DA AVE



Soltei o passarinho
Que na gaiola cantava
Trinados tristes, amargurados
Parecia que até chorava

Era grande a melancolia
Em todo o seu cantar
Como as suas belas penas
De todo um grande penar

Abri a porta, deixei voar
Cantou alegre o passarinho
Não nasceu para estar preso
Que tristeza, coitadinho!

Todos os dias vem cantar
Ao beiral da minha janela
Ave esperta e feliz
Quer que eu cante com ela ….!

EM CORPO NU



Sinto-me gélida
Não vens

Nosso leito
Mortalha de seda
Enrugadas p’la agonia
De tua falta

Mais uma noite
Sem teu afecto
Que me faz durar

Abraço
Mas meus braços
Não vêem
Nem sinto o teu ardor

Lágrima teimosa
Rola na face
Caindo em meu regaço
Cheio de nada
Em corpo nu ….!

terça-feira, 23 de agosto de 2011

TUAS MÃOS



Mãos com ternura
Afagam
Mãos que mansamente
Vagam trilhos ocultos
Mãos suaves
Que deleitam meu sentir
Mãos cálidas
Que deliciam
Mãos tacteiam
Sabores
Mãos que incensam
Bálsamos
Mãos que conduzem
Satisfação
Mãos que magnetizam
Força
Mãos que atenuam
E dão Paz …. !

SEDUZ-ME



Em meu conceber
Tua paixão
Anseia
Corpo predilecto
Lábios húmidos
Braços quentes
Envolvendo-me

Olho-te
Querendo dizer não
Mas tuas ternuras
Beijos
Tentação
Deixa-me demente

Entrego-me
Docemente
Por completo
A ti …

MEU CASTELO



Construi meu castelo
Na palma da mão
Eu era a rainha
Rei não tinha, não

Esqueci-me qu’era d’areia
Veio vento e derrubou
Chorei lágrimas amargas
Foi vida que levou

Hoje sonho
Com o meu castelo
Que hei-de um dia ter
Ventos transformam-se em brisas
Pr’a ele se poder suster

Vai ser dura caminhada
Não paro de lutar
Quero meu castelo de volta
E deixar de sonhar

OMBREIRA SEM PORTAS



Vim esperar-te
Ao por do sol
Na choupana por nós eleita
Sem portas
Sem janelas

Vem para nosso conforto
Sem que ninguém saiba
Desatar nossa ânsia
Viver nossa quimera

Com o chegar das trevas
Nossa luz brilhará
De tão intenso amor
Que até a Lua terá ciúmes
De tanto esplendor

Vem, amor
Espero na ombreira ….

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

SEDUZO-TE



Vem até mim
Mansinho
Sentir doce
Leve tremores
Mãos em carícias
Em meu corpo
Errando

Oh amor
Beija-me
Lábios
De seda e carmim
Quero só para mim

Despe-me
Com destreza
Mansamente
Pouco que ainda me cobre

Olho-te sem falar
Teu anseio….

QUATRO PAREDES


Colhe
Em teus braços
Tudo de mim

Corpos desnudados
Unos
Colados
Odores saboreados
Olhares calados
Pedindo mais

Cama e lençóis
Cúmplices
D’um desejo
Louco
Incontido
Sublime
Gozado lentamente

Quatro paredes
E nós….!

domingo, 21 de agosto de 2011

ESTRADA DA VIDA



Entre vales, serranias
Desbravo onde estreito
Com próprio alento
Compondo minha vereda

Pés descalços
Alma sofredora
Olho de fronte
Vou seguindo

Carga dura e penosa
Levo em frente
Meu intuito
Traçando meu caminho….

PORTA ABERTA



Agora
Vou deixar a porta aberta
Para invadires

Não haverá soluções
Nem trinques
Porque te pretendo
Comigo

Invade subtilmente
Pisoou … não faças rumor
Posso já estar devaneando
Com tuas meiguices

Uma porta aberta
Para o amor
Incessantemente almejado….!

PRANTO INCONTIDO



Acordo
Sem vestígio de ti

Rolam pelo rosto
Prantos
Com paladar amargo

Amasso os lençóis
Que envolveram
Nossa afeição
Paixão
Agora estão vazios

Sinto-me devoluta
Esvaziada
Dispersa
Num universo
Que não era só este

Pranto incontido
Embebe meu corpo desnudado …. !

LUA MINHA



Quero para mim
Lua mágica
D’encantar
Luz que transpareces
Meus sentimentos

Quero sentir-te
Como fosses minha
Tesouro descoberto
Por namorados

Namorar com tua luz
Tem sabor especial
Lua dos meus encantos
Bem próxima
Sinto os teus afagos…