sábado, 17 de setembro de 2011

PRIMEIRO BEIJO


Olhos que falam
Bocas caladas
A medo
Pedindo

Beijo
De encanto
Suave delícia
Meigo
Desejado

Bocas coladas
Doce arrepio
Sentindo teu corpo
No calor do enredo
Do primeiro beijo ….

(Publicado no Jornal O REBATE )

ESCALADA DA VIDA


A pique
Dura encosta
Pedras desleais
Da vida
Longa é a subida

Raios quentes
Aquecem almas
De desejos
Gélidos sofridos
Perdidos
No esquecimento

Vida
Com mágoas na alma
E corpo
Lavadas
Não é abdicada
Ao alto do penedo
Chegar ….


(Publicado no jornal "O REBATE")

TRISTE FADO


Destino
Um dia chorado
Sina
Amargurada
De alma triste

Abandonada

Corpo esventrado
Ao vento
Rosto molhado
Por lágrimas caladas
No silêncio
De um fado traçado

DOCES MISTERIOS


Invadem
E cercam
Segredos de mim
Como jóias guardadas
Em caixa da minha alma

Doces devaneios
Quero ocultar
Sentindo no peito
Enleio de ti

Teu poder
E luz
Dão-me alento
Saudades tuas
Reservando em mim
Nostalgia e dor …

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

ARRAIAL NA NOSSA TERRA



Logo pela manhãzinha
Mal desponta o arrebol
Foguetes sobem ao ar
Saudando o nascer do sol
No dia de S. João !
Pelas ruas a tocar
Charanga bem afinada
Vai espalhando melodias
Pela aldeia engalanada.
Ninguém esquece o Padroeiro
Na Missa e na Procissão
Onde não faltam os anjinhos
E onde todo o mundo acorre.
Cheira o ar a rosmaninho
Nesta terra pequenina
Onde a tradição não morre!

Há de tudo no arraial
P’ra alegrar a petizada:
Algodão doce, pipocas!
-Menina, não quer mais nada?
Só se for umas farturas
Que não sejam muito duras
Para a mãe e para a avó,
É noite de S. João !
Os velhinhos a dançar
Recordam a mocidade!
Há foguetes a estoirar
Espalhando claridade
Bem alto, lá pelo ar,
São lágrimas de saudade
Do arraial a acabar!


Está animado o arraial
Andam balões pelo ar
Misturados com as cantigas
Sobem, sobem, sem parar!
Quando a tarde vem caindo
Os olhos das raparigas
Põem corações a arder
No peito dos namorados.
Seus lindos olhos, gaiatos,
Espelhos do coração,
Ardem mais que as fogueiras
Na noite de S. João.
Toda a gente está feliz
A marcha fez um vistão
O arraial é braseira
Que aquece o coração!

Autoria de minha Mãe: Lidia Carvalho Oliveira

CASA AO RELENTO


Cansado pelo pesar dos anos
Descansa
Encolhido
Em noite fria
Em cama que sobrou
No silêncio de um banco de jardim
Numa casa com telhas de estrelas
Paredes de luar
Janelas e portas abertas
Aos olhares de quem passa

Solidão
É tua companhia.

O sonho
É teu agasalho …

PEDAÇOS DE ESCRITA


Retrato
Com pena e tinta
Em papel puro
Pedaços
De vida toldada

Desamores
Ilusões
Lágrimas choradas
Em prantos secos
Escondidos

Existência vã
Magoada
Que faz rolar
Uma lágrima amargurada
Salpicando
Letras molhadas
Manchadas de tinta …

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

JANELA DE ENCANTO


Janela dos meus encantos
Por ela vagueio
Num doce imaginar

Uma brisa
Toca meu rosto
Como carícias tuas
Trazidas pela saudade

Olho o mar
Serenamente
Como quem espera mensagens
Chegadas na espuma das ondas
À areia fina da praia

Corro
Nada encontro
Só uma meiga fantasia
Através do encanto da janela

VELHA MELODIA


Toca
Aquela melodia
Triste
Quando um dia partiste

A pauta
Enrugada
Velha
Como a canção
Um dia tocada

Tempos marcaram
Gravaram
Memórias não esquecidas
De uma velha melodia …

OLHOS TAPADOS


Tapo os olhos
Vejo
O que a alma esconde

São lágrimas de um passado
Esquecido
Não morto

Relembrado
Abre feridas
Que doem
Não quero ver
Minhas angústias
Que teimam
A surgir

Mesmo assim
Tapo os olhos ….

JARDINS ÉDEN


Enrolem cobras mansas
Em corpo nu
No afagar doce
Como tuas mãos
Em carícias
Suaves

Deleitam
Fantasias adoráveis
Que só deuses gozam
No Paraíso idílico
Em serenidade

Desejo
Teus dedos percorram
Mansamente
Caminhos de meus
No ondular
De cobra meiga …

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

PARA LÁ DO TEMPO


Voa
Minha alma
Desfaz-te
Em mil pedaços
Atenua
Confusões
De desalento

Espírito meu
Procura outras zonas
Para lá do tempo
Em ventos suaves
Brandos

Quero sentir
Leveza de voar
Como pétalas
De rosa desfolhada
Ao vento ….

BOCA FECHADA


Tristes dias meus
Em que leda alma
Transportada
Faz destruir
Tamanha dor

Mar revolto
Encantos falhados
Em devaneios
Sombrios
De boca silenciosa

Voz seca
Em lábios mudos
Em tortura de mágoas
Distorcidas
Angustiadas …

PÉTALAS VERMELHAS


Rosa fresca
Vermelha de sangue
Verdadeira
Delicada
Em meus lábios
Deixa bálsamo delirante

Beija
Com tal sabor
Sente perfume meu

Fecho os olhos
Pela fantasia
Voando
Sentido como vinho
De Baco
Fluindo …

terça-feira, 13 de setembro de 2011

LOUCURA


Mente insana
Delírios
Vendaval de ideias
Loucas fantasias

Devaneios
Tristes
Em remoinhos
Extasiantes
Transportados
Além da alma

Fuga na imaginação
Por angústias
Vontades
Paixões
Perdidos na loucura …

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

SINTO CORRENTES


Amarrada estou
Em correntes
De aço
Esboçando não afectos
Como pássaros
Sem gaiolas que os prendem
E que não voam

Desejos
Onde estão …

Com tristezas
Em agitação
Desgastando
Fantasias inúteis
Tomadas no corpo
E alma …

MEU CAVALO BRANCO


Cheguei um dia
Em vestes alvas
Buscando paz
De terras longínquas

A trote
Por campos de flores
Olho horizonte
Tentando lembrar tua figura
Mas tudo é nada

Quero para mim
De novo
Sem fugas
Nem ausências
Apenas tu …

domingo, 11 de setembro de 2011

CARTAS RASGADAS


Passado
Despedaçadas
Onde faltam pedaços
P’lo tempo levados

Cartas gravadas
Nunca enviadas
Arquivavam sigilos
Tempos antigos

Foram esfarrapadas
Descoraram com o tempo
Desfizeram-se pedaços
Da vida d’outrora
Não mais se coordena
As falhas
Das cartas despedaçadas …

A TI HOMEM


Que tens sentimentos
Que amas
Que voas na imaginação
Que sofres
Que a tu’alma está dilacerada
Que ris com vontade de chorar
Que sentes a solidão
Que vives a dor dos outros esquecendo a tua
Que esperas apenas o calor d’um abraço
Que achas que chorar não é de Homem
Que apesar forte, fraquejas
Que nem com um milhão de amigos te faz sentir menos só
Que hás vezes escreves para desabafar
Que teu acalmar é mudo e disfarçado do universo
Que te fazes parecer de forte, por seres Homem
Sim, a ti Homem, chora, ri, ama, não te escondas porque a solidão dói
És um Ser Humano com sentimentos, defeitos e virtudes, e fantasias.

O GRITO


Grita!
Tua consciência não está bem

Grita!
Não adoptas teus enganos

Grita!
Teu interesse não deixa entrar modéstia

Grita!
Queres mas fazes os outros rojar

Grita!
Olha para ti mesmo e vê o que aparece

Grita!
Um natural delírio na tua invenção

Grita!
A existência é dura demais

Grita!
Fantasias são fáceis de criar, fugindo
Tapando alma em chaga
E pranto amargo

ESPERA


Espero-te
Em minha alcova
Envolta em fino tule
Para sentires meu corpo

Quero teu desejo
Em mim
No enleio
Em querer
De beijos mel
Sequiosos

Sentir teu corpo
No meu
Entrançados
Roçando em deleite
Paixão

Em enlevo
As mãos sentir
Sabor do cheiro
De dois corpos
Em um quedarem
Numa expansão que inebria …

A PORTA


Deixei a porta fechada
Como meu coração
De sentimentos velhos
Tal os azulejos
Que vão caindo

A chave não dela sei
Dobradiças enferrujadas
Será que algum dia abrirá
P’ra mostrar meus sentimentos
Que um dia lá deixei

Que abram as portas
Espreitem vizinhas
Mal dizentes
Através dela falarem
Mágoas minhas
Trancadas
Esquecidas ….